Fazendo dos usuários seus colaboradores no projeto

Para efeito de praticidade conceitual ( trata-se de um blog ), vamos dividir os agentes de um ambiente corporativo em agentes operacionais e gestores.

É, normalmente, no segmento ‘operacionais’ que tem início as reverberações de descontentamento que apontam para as dificuldades de execução rápida e eficiente das operações cotidianas da companhia a cargo destes agentes.

No segmento ‘operacionais’, observamos a execução rotineira de imputs elementares que irão servir de base para, após exaustivo trabalho de sumarização, proporcionar uma ‘visão panorâmica dos negócios da companhia’.

Desta forma, gestores recebem seus reports organizados em informações sintéticas, nem sempre como gostariam e no prazo desejado, para tomar suas decisões.

Temos assim, as duas possíveis causas indutoras da busca por uma solução de TI, rotinas operacionais exaustivas e sobrepostas e repertório gerencial analítico de qualidade questionável e defasado no tempo.

Tem início o processo de busca de uma solução. Neste processo, a cada fase de sua evolução, o segmento operacional vai ganhando cada vez mais o papel de ator coadjuvante, enquanto, o segmento gestores se eleva à condição de estrela principal junto aos fornecedores de solução.

Em que pese o fato de serem instados a dar sua opinião, o processo, neste momento, é essencialmente mercantil. É ingenuidade achar que a solução será contratada apenas em razão das impressões positivas deixadas pela solução junto aos agentes operacionais.

Gestores são pessoas e, como tais, estão sujeitos aos apelos de marketing e à pressão do fluxo de caixa, dois pontos muito fortes e inerentes à qualquer transação comercial. É sempre bom lembrar que o processo teve início tendo em vista resolver um problema, mas, nesta fase, estamos comprando um produto.

Escolhido o caminho, tem início a construção da solução. Neste momento, identificamos uma inversão dos papeis, gestores assumem o lugar na platéia (estão aguardando o show prometido) e os agentes operacionais são alçados à categoria de protagonistas do show.

É crucial que o coordenador do projeto faça uma avaliação precisa das expectativas e opiniões latentes no segmento operacional quanto aos dois momentos descritos acima: A fase que antecedeu a escolha da solução e a fase que se inicia agora na implantação desta solução.

Para isto, é importante entender a visão que ficou impressa no  imaginário dos agentes operacionais ao longo deste movimento paradoxal.

Seu envolvimento foi marcadamente coadjuvante no início e praticamente imperceptível na fase da escolha. Mas agora, no decorrer dos meses que se seguirão, recai sobre eles a responsabilidade maior pelas garantias do sucesso.

Sem qualquer vantagem líquida, estes elementos são chamados a responder pelo êxito de um projeto que, na maioria das vezes, entra pela porta do seu departamento sem ser previamente anunciado.

Considerando esta dualidade de papéis imposta sobre estes agentes, é fácil concluir que o limite entre colaboração e resistência é muito tênue.

Entender este processo de escolha de uma solução de Ti e as expectativas dos agentes operacionais é uma pré-condição fundamental para que o coordenador do projeto reoriente sua estratégia no esforço de trazer estes elementos coesos e alinhados à sua meta.

Americo Lopes  - http://www.boaspraticasdeti.blogspot.com/

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