Carreira: você está inserido(a) no mercado?

O maior desafio atualmente no mercado de trabalho é mudar a visão dos profissionais, para que se conheçam melhor e também para que entendam qual é o impacto de suas ações no processo produtivo.

Mas apesar de todos os esforços dos gestores, a grande maioria dos profissionais não mostra reação, devido à opiniões e/ou interesses pessoais. Fazem o básico e vão embora, para no dia seguinte enrolar mais um pouco e ficam neste ciclo até serem demitidos e acharem outra empresa para se encostarem e começar tudo de novo.

Já conversei com colegas do trabalho, da faculdade e de outros círculos e perguntei-lhes: – O que é o mercado de trabalho pra você?

As respostas foram as mais variadas, algumas até estranhas e engraçadas, mas a maioria deles respondeu que o mercado de trabalho era a empresa que atualmente trabalhavam… E se eles perdessem o emprego, então o mercado de trabalho seriam todas as empresas (concorrentes) da empresa onde estavam empregados, ou então todas as empresas da cidade onde moram, pois basta uma para dar a eles “um serviço”.

Bem, essa falta de visão e profissionalismo é o resultado de diversos fatores que começam pela educação que receberam dos pais, passando pelo nível da instrução que receberam nas escolas e faculdades e, por fim, pelo tipo de gestão a que foram submetidos. Culpar o governo ou qualquer outra coisa seria leviano e incoerente. O governo faz o papel do governo. Ele precisa ser cobrado sobre o que faz com o dinheiro dos nossos impostos, e não para ficar atirando pão e circo.

Será que é possível estar empregado e não estar inserido no mercado? Existem algumas dicas e pistas que vou listar para identificar esse fenômeno apenas pelos sintomas e pela resposta a algumas perguntas que precisamos fazer para nós mesmos em algum momento de nossas vidas profissionais e pessoais.

1- O salário que eu recebo é próximo ao salário pago para outros profissionais que exercem as mesmas atividades que eu executo?

De nada adianta trabalhar de sol a sol e não acompanhar o que acontece no mundo! Todo profissional precisa conhecer muito bem quanto o mercado paga para sua atividade. Isso pode ser conseguido pelas inúmeras pesquisas salariais divulgadas por instituições pouco e muito confiáveis. Sempre existirão aqueles que vão protestar que a pesquisa está errada, mas lembrem-se: São pesquisas de MÉDIAS salariais, portanto, elas estão corretas! Procure saber exatamente quanto o mercado paga para sua função em empresas pequenas, médias e grandes. Se seu salário estiver muito abaixo da média, então você precisa tomar providências, que começam com uma conversa com seu superior hierárquico até assistir cursos de formação e especialização, podendo inclusive culminar com sua mudança de emprego.

2- Se meu salário é mais baixo que a média, então qual a justificativa?

O domínio de idiomas, habilidades com ferramentas, formação acadêmica e até mesmo a sua localização geográfica podem responder essa pergunta. Os profissionais precisam fazer um plano próprio para sua carreira, para saber onde estão, onde querem chegar e o que fazer para alcançar esse objetivo. Não é mais possível viver os dias um atrás do outro, sem planejamento e sem orientação. Faça metas com seu superior e colha mais opiniões de outros profissionais. Procure seu sindicato e se mobilize, pois o maior interessado é você mesmo!

Outro fator importante é o comportamento. Um profissional pode ser especializado e treinado, mas seu comportamento e respeito podem lhe fechar as portas, mesmo dentro da empresa. Existem funcionários egoístas, egocêntricos e até megalomaníacos, e além de ser difícil e imprevisível trabalhar ao lado deles, as oportunidades dentro e até fora da empresa lhes passarão ao largo, pois ninguém vai indicar ou convidar pessoas com esse tipo de conduta.

3- Então preciso deixar a empresa onde trabalho?

É aí que começa o problema de fato! Se você não está exercendo uma função conhecida e registrada, então quando você procurar o mercado, não vai achar nenhuma empresa que te contrate. O mercado de trabalho tem suas próprias regras, e se você não conhecer essas regras, então não vai conseguir sequer entrar no ringue! Existem profissões que possuem registros específicos, como técnicos e engenheiros tem o CREA, os profissionais de educação física tem o CREF, os enfermeiros tem o COFEN e os profissionais de administração tem o CRA. Se você trabalha hoje nesta situação, então vai ter problemas a curto, médio e longo prazos.

Até mesmo a faculdade que você quer estudar precisa ser analisada friamente sob esse aspecto. Vou ter um título? Vou ter um registro? Nesses tempos de educação de qualidade duvidosa, é melhor fazer uma faculdade de 5 anos que te dê um título e um registro, do que uma de 2 anos que te dá apenas um canudo e um tapinha nas costas…

4- Como mudar essa situação?

Com planejamento estratégico! Infelizmente, nossos profissionais aprendem muito tarde sobre como planejar e executar suas tarefas com estratégia (rapidez, comunicação, organização, contingência, etc) e acabam por planejar suas carreiras tarde demais. O lance é corrigir as deficiências e se arriscar mais, sempre visando melhores salários e condições de trabalho. O emprego perfeito existe, e está lá, disponível e te esperando, mas ele não vai até sua casa para te buscar!

O planejamento estratégico de sua carreira vai te mostrar quais as habilidades, ferramentas e treinamentos que precisam ser adquiridos e que, aliados à experiência, vão te preparar para o próximo nível.

Sempre encare seu atual emprego como um trampolim, e não fique chateado com um baixo salário inicial, pois não será assim para sempre.

5- Me preparei e agora quero saber: Como equiparar (ou aumentar) meu salário?

Seu salário não é a única prova que você está inserido no mercado de trabalho. Você pode inclusive receber um salário bem alto, mas se for dispensado, não conseguirá achar uma empresa que pague sequer 40% do que recebia!

Eu já assisti inúmeros treinamentos, mas um dos melhores foi sobre crise e oportunidade. Onde existe crise para alguns, é oportunidade para outros. A vida é assim! Se acostumem com isso. Procure todas as oportunidades que você puder para aumentar seu salário e melhorar suas condições de trabalho, e se não achar, então crie suas próprias oportunidades! Seja ousado! Fale com seu diretor e também com outros diretores. Procure outras empresas. Considere mudar de profissão. Mude de estado, arranje um segundo emprego, etc. Procure entender também o momento sócio-político-econômico da sua região, pois mesmo que o cenário nacional e internacional se mostrem favoráveis, a situação da sua região e empresa podem não ser, e um pedido de aumento pode ser inoportuno.

Conhecer o mercado onde atuamos é fundamental para evitar ficar desempregado por muito tempo. O melhor momento para procurar emprego é enquanto estamos empregados. Quando estamos desempregados, não temos poder de barganha e como temos muita urgência para pagar as contas, aceitamos qualquer salário para “estar recolocado no mercado”. Não é certo ! Mesmo estando desempregados, ainda podemos estar inseridos no mercado de trabalho, como mão-de-obra temporária especializada, ou então fazer um curso de especialização, lecionar, etc.

O mais importante é a consciência de que estamos inseridos em uma empresa e na sociedade e sua relações de interdependência. O resto são direitos e deveres.

Marcelo Ribeiro de Almeida

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Gerente de Projetos - Telemática.
Formado em Gestão de TI - UNIP;
MBA em Gerência de Projetos - UNIP;
Gestão de Pessoas - IBMEC;
Certificado ITIL V3 Foundation e estudando PMP;
Colaborador do time de tradução do Linux Ubuntu.

6 Comentários

marcos
3

gostei do texto também, formei em administração em 2008 com 45anos, fora o curso de eletronica e processamento de dados que ja possuia e estou fora do mercado, que absorve apenas mais novos..

Anderson Ribeiro
4

Não concordo com o comentário do marcos. Essa coisa de que pessoas com uma certa idade não conseguem mais emprego ficou para trás.

Acredito que qualquer profissional seja qual for a área não pode parar no tempo, tem que sempre fazer cursos e se especializar. O fator “comportamento” citado no texto do Marcelo Ribeiro também conta e muito.

Naianes Mendonça Freitas
5

gostei do artigo, está de parabéns, bem direto, pois a verdade é que realmente nao podemos para no tempo e sim sempre está nos especializando para enovar nossos conhecimento e nao ficarmos para traz, afinal os aptos sobrevivem e o menos apto fica para traz, estou cursando o terceiro semestre de administração e sempre busco ler artigos desse tipo.

Sérgio
6

Ótimo artigo, porém não compreendi o item 3. Por que ter um CREF, CREA, COFEN, CRA ou outro qualquer é um problema a curto, médio e longo prazos?
E quanto à faculdade, a melhor análise é de acordo com a sua necessidade: se vc está precisando entrar em determinada área específica com perspectiva de mudar sua situação à médio prazo, escolha um curso técnico de 2 anos. Com ele vc não vai ganhar muito, mas vai ser inserido no mercado de trabalho de forma satisfatória para subir de nível posteriormente. Já se você está empregado na área que quer e gosta de trabalhar, um curso mais longo e que, além de um título lhe dê um registro, é a melhor opção, pois vai te abrir um leque maior de opções e possibilidades de áreas de atuação.

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