Seja legal, diga não à distribuição ilegal de softwares

Sem dúvida muitos usuários utilizam ou ao menos já utilizaram versões não-oficiais de softwares proprietários, popularmente conhecidas como versões “crackeadas” ou “piratas” e distribuídas principalmente em redes P2P, torrents e blogs de downloads.

Na internet é possível encontrar um grande acerto de aplicativos relacionados a diferentes finalidades, desde o uso pessoal até o profissional. O grande obstáculo para os usuários é que geralmente esses softwares são proprietários, ou seja, o usuário precisa de uma licença para contemplar a liberdade de usá-lo ou ter acesso a todas as suas funções. Neste ponto, vale revisar brevemente os tipos de distribuição mais comuns encontrados na internet:

Shareware – versões com esse tipo de distribuição permitem que o usuário baixe o software gratuitamente mas o use por um determinado prazo, normalmente até 30 dias. O objetivo dos desenvolvedores em criar esse tipo de versão é submetê-lo a uma avaliação dos usuários. Caso ele se interesse pelo programa e queira estender o prazo de uso, terá que pagar pela licença do software.

Demo – como o próprio nome sugere, essa distribuição é uma “demonstração” do software, e limita suas funções para que este seja apenas testado pelo usuário. Diferente do Shareware, as versões Demo não possuem um prazo de validade de uso, porém, apenas as funções básicas do software ficam disponíveis. Para ter acesso a todas as opções e funcionalidades, é necessário comprar a licença do aplicativo.

Trial – esse tipo de versão possui um outro tipo de limite: não é permitido salvar o trabalho ou o arquivo criado pelo programa. No caso de jogos, o usuário não consegue salvar o progresso atual para continuar posteriormente. Os desenvolvedores aplicam esse tipo de distribuição em softwares para funções importantes, como recuperação de dados, reparador de arquivos corrompidos ou restauração de banco de dados. Normalmente o usuário fica livre para visualizar os resultados, mas não tem permissão para salvá-los. Para isso, o usuário precisa comprar o programa.

Freeware – versão livre para download e utilização, sem restrições. Algumas empresas (de antivírus, por exemplo), utilizam a estratégia de criar duas versões do mesmo software: uma grátis e outra que exija compra, muitas vezes entitulada como “Professional”. Essa versão, é claro, possui muito mais recursos e funcionalidades quando comparada com a versão gratuita.

Dentro de todo esse contexto de distribuição, alguns profissionais mal-intencionados começaram a abrir o código-fonte dos softwares para burlar o sistema de limitação. Através de técnicas e programas específicos, estes profissionais, conhecidos como crackers, tornaram-se capazes de decodificar o arquivo executável do software e descobrir qual o tipo de algoritmo utilizado para verificar se há uma licença válida para utilização. Mesmo as funções de criptografia são expostas aos crackers, que se prontificam a criar aplicativos para quebrar a limitação do software, chamados cracks.

Para alguns softwares, a inserção de um número de licença (Serial), já é o suficiente para liberar todas as funções do programa. Sendo assim, os crackers desenvolvem executáveis conhecidos como keygen (da abreviação Key Generator – Gerador de Chaves), capazes de gerar vários números de licenças válidos. Para tentar evitar esse problema, os desenvolvedores passaram a programar os algoritmos de verificação em arquivos DLL externos (biblioteca de funções). A princípio foi funcional, mas não demorou para que os crackers encontrassem um modo para se livrarem dessa limitação. Logo conseguiram quebrar o arquivo e criar outra versão da DLL, acompanhada com o crack. Em mais uma tentativa, os desenvolvedores passaram a integrar um código de ativação ao número de licença. Dessa forma, era necessário que o usuário adquirisse a licença, enviasse ao site da empresa e recebesse em retorno um código de ativação. Em pouco tempo, os crackers criaram versões de keygens com a capacidade de gerar números de licença e ativação simultaneamente. Em certos casos, eles modificam o próprio executável do programa para substituir o arquivo original após a instalação do software, ou criam pequenos executáveis chamados patch, capazes de executar instruções automaticamente para liberar a licença.

Atualmente o sistema de validação de licenças está mais rígido, principalmente em virtude desse tipo de ação dos crackers. Muitos softwares estão exigindo ativações online, diretamente com o site do desenvolvedor. Assim a empresa mantém controle da duplicidade de licenças e evita que o sistema de ativação seja burlado.

Porém, à medida que cresce a procura por versões piratas de programas proprietários, alguns crackers criam vírus e os espalham na internet como supostos cracks. Ao tentar “crackear” o programa, na verdade o usuário instalava um vírus no computador, responsável por abrir brechas de segurança, roubar informações ou causar danos ao sistema operacional. Entretanto, devido ao sistema de virtualização de processos encontrado na maioria dos antivírus atuais, muitos destes executáveis são bloqueados antes que realizem alguma alteração no computador.

Com base nas informações deste artigo, a recomendação é optar por comprar a licença do software, mesmo que o preço seja relativamente caro. Essa atitude colabora tanto para a segurança do usuário quanto pela ética de privilegiar os verdadeiros desenvolvedores do software. Em muitos casos, quando o usuário compra a licença do software, o desenvolvedor proporciona um pacote de vantagens, como atualização automática, suporte técnico, e a liberdade de avaliar outros aplicativos da mesma empresa.

Além disso, o usuário (ou empresa) fica isento diante de uma possível fiscalização de softwares.

André Luis Celestino

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Desenvolvedor de software há 7 anos e autor do blog SubRotina. Graduado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Engenharia e Arquitetura de Software com ênfase em Desenvolvimento Ágil. Atualmente trabalha como Analista Implementador Delphi em Florianópolis.


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