Recolocação – Parte 3

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aperto_de_maos_2Júlio ficou olhando para as paredes esperando o outro sujeito. A entrevista começaria em alguns momentos e ele aproveitou o tempo para fazer uma revisão mental dos últimos preparativos. O sujeito entrou logo se apresentando, com um forte aperto de mãos. Depois das introduções e generalidades, a conversa entrou no que interessava:
– Me conte um pouco de você, fale das suas realizações, seus pontos fortes, fracos.
Lá vamos nós de novo…

O papo fluiu bem, muito bem para uma entrevista. E no final, como acontece nas boas entrevistas, a balança de poder se alterou e coube ao entrevistado fazer as perguntas e ao entrevistador o papel de convencimento:
– E como é trabalhar nessa empresa?
– Olha, aqui tem trabalho para caramba, muito trabalho. Melhor dizendo, muitos desafios. Hoje já somos o número 1 no nosso setor, mas o mercado está crescendo a uma taxa de 30% ao ano. Já imaginou? É praticamente descer as cataratas do Niagara em um barril, tudo acontece muito rápido. Estamos profissionalizando a gestão, só esse ano já são 4 novos diretores. E temos que preparar a empresa para todo esse crescimento. Criar novos produtos, sistemas e processos novos. Inicialmente você pode até ficar frustrado por não ter os processos de uma empresa consolidada mas, por outro lado, você terá o prazer e o desafio de criá-los.

Os olhos de Júlio brilhavam enquanto ele dizia essas palavras, que contagiaram o entrevistado da mesma maneira. Fecharam a contratação com o mesmo aperto de mãos forte, olhando nos olhos.

Há algumas semanas Júlio passou pela situação inversa, quando foi entrevistado pelo seu ainda futuro chefe na mesma empresa. Além de salário e benefícios competitivos, Júlio estava procurando um projeto no qual acreditasse novamente. Um lugar onde pudesse construir. Quem já participou de uma start-up conhece esse sentimento. É aquele frio na barriga que se sente quando se enfrenta um grande desafio. Mas ao mesmo tempo é aquela energia, a certeza do grupo de que os obstáculos serão superados e que o resultado será algo formidável. Grandes empresas são aquelas que conseguem manter o clima de start-up mesmo depois de anos de operação.

Júlio encontrou isso nas palavras de seu novo chefe e aceitou o desafio. Lembrou do personagem de Tom Hanks em O Naufrago, que a despeito de todos os riscos decidiu construir uma balsa para enfrentar o mar aberto e voltar para casa. O futuro já não era tão certo, mas era desafiador, e isso lhe bastava.

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Jack DelaVega

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Tribo do Mouse

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Juarez Poletto é editor do Blog Tribo do Mouse(http://www.tribodomouse.com.br/), que fala de liderança, carreira e vida no escritório, onde assina como Jack DelaVega. É mestre pela Federal do Rio Grande do Sul e vem trabalhando Tecnologia no Brasil e no Exterior nos últimos 12 anos, além de uma carreira acadêmica em cursos de Graduação e Pós. É fascinado pelos tópicos de Liderança, Coaching e Gerenciamento, fato que o levou a se juntar a Tribo. Atualmente é Diretor de TI de uma empresa de Educação em Curitiba, onde mora. Agora o que realmente interessa: Sou apaixonado pelo que faço, ao ponto de sofrer por isso. Um nerd, mas um nerd que engana bem. Não sei se acredito em Deus, mas tem que haver um sentido maior em tudo isso


1 Comentários

Carlos
1

Boa noite!

Alguém saberia indicar um bom site de outplacement na área de TI ?

Algum que realmente possua bons contatos e caso o candidato tenha boas qualificações consiga algo consistente e efetivo?
Obrigado

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