Eu uso porque é grátis!

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Hoje pipocaram, em meu Twitter, notícias sobre uma pesquisa segundo a qual 0% das pessoas pagariam para usar o Twitter. Natural. Eu mesmo não pagaria por ele e estaria lá, engrossando a conta de 0%, se me permitem o paradoxo.

“Os consumidores realmente querem conteúdo de graça sem propaganda”, disse Jeffery I. Cole, diretor do Centro para o Futuro Digital da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, responsável pelo estudo. Mas “ultimamente eles entenderam que o conteúdo tem de ser pago – de uma maneira ou de outra”, ele complementa. Que alívio. Porque essa compreensão também é parte do que mantém esse modelo de negócios vivo.

Esse novo paradigma mostra-se cada vez mais como um destino inevitável. Não há como escapar desse modelo, então o desafio de (quase) todo gestor hoje, principalmente os envolvidos no mercado digital é: “como fazer para viabilizar meu negócio dentro desse modelo”?

Mas o grátis é sustentável?

Claro que é! E o grátis (ou o quase grátis) está em toda (ou quase toda) parte:

  • Nada de novidade: a TV aberta é um dos mais contundentes exemplos. Você assiste de graça. Eles investem milhões criando uma programação “interessante” (?) que você assiste sem pagar um centavo. É tudo pago pelos anunciantes.
  • Mais de 90% do faturamento da Google vem dos Links Patrocinados (programas Adwords e Adsense).
  • Os sites de conteúdo por toda a Internet são, em boa parte, sustentados por anunciantes.
  • Muitos serviços adotam o modelo freemium (junção de “free” + “premium”), modelo no qual uma pequena parcela de usuários pagam por um serviço premium, gold, ou algo parecido, com recursos adicionais, garantindo assim a existência do serviço e permitindo que a massa de usuários do serviço gratuito continue se beneficiando. E quanto mais usuários o serviço gratuito atrair, mais chances tem-se de conquistar novos usuários para o serviço pago.
  • Hoje é possível comprar uma impressora laser colorida por menos de 500 reais. A jato de tinta então, há modelos por menos de 90 reais. Como isso é possível? Bem… você já viu o preço do toner e das tintas?
  • Que tal o celular que sua operadora oferece “de graça”? Você acha que o preço dele já não foi embutido nas mensalidades e no custo dos serviços?

Eu poderia citar uma infinidade de situações nas quais algum produto ou serviço sai de graça para mim, mas certamente é pago por alguma outra pessoa ou grupo. Essas são as novas regras do jogo. O público ama o grátis. E as empresas já buscam, criativamente, formas de se adaptarem a essa realidade.

Algumas empresas aéreas, por exemplo, já vendem espaço publicitário em seus bilhetes. Dependendo da quantidade de bilhetes vendidos, a quantia auferida com essa venda pode cobrir uma parte substancial dos custos da companhia. Alguns cantores e conjuntos musicais brasileiros distribuem CDs de graça — isso mesmo, de graça. Os CDs são apenas a propaganda: os lucros deles vem dos shows que atraem os fãs que foram conquistados com aqueles CDs gratuitos. São incontáveis as empresas que produzem software que é distribuído gratuitamente e se monetizam com planos de suporte pago. Inclusive algumas distribuições Linux muito conhecidas são assim.

Alguns dizem que essa tendência não é global e sim pontual. Mas mesmo os produtos manufaturados, que a priori parecem tão distantes da idéia, podem se beneficiar do modelo. Veja o exemplo dos celulares “gratuitos” e das impressoras baratas. É inegável, portanto, que de uma forma ou de outra, praticamente todos os negócios terão, daqui para a frente, um ou outro componente ou produto funcionando segundo esse novo modelo.

Até o consumidor já entende que o conteúdo, produto ou serviço “tem de ser pago, de uma maneira ou de outra”. Todos sabemos que nada é, de fato, totalmente grátis. Então o modelo proposto não é impossível, nem tampouco é inviável. O desafio está em reinventar o negócio, criando novas formas de monetizar esses conteúdos, produtos e serviços e, ao mesmo tempo, mantê-los atraentes ao consumidor. E isso exige visão e criatividade.

Publicado originalmente em: Blog Mendes Martini

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Carlos Martini

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Carlos "Martini" é formando em Gestão da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva / Faculdades COC e tem trabalhado, nos últimos 5 anos como Analista de Suporte em um provedor de hospedagem. Entre seus interesses destacam-se matérias como Gestão, Governança, Sistemas Operacionais e Hardware / Gadgets.
Blog: http://mendesmartini.com/


1 Comentários

Diego Cardoso
1

Carlos,

Boa tarde, concordo com os seus argumentos citados.

Se pararmos para pensar um pouco, qual o real significado de fornecermos algo gratuito num mundo capitalista em que vivemos?

Abraços e parabéns pelo artigo !

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