Dar prazos em sistemas legados, uma verdadeira dificuldade!

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“Em quanto tempo você faz isto? Isto é rapidinho pra fazer? É quase igual ao que te pedi na semana passada!”

Quem trabalha com projeto de software com certeza já se deparou com alguma das situações acima.

Ao contrário de outras áreas, como construção civil, indústria e serviços de telemarketing, nós não estamos conseguindo medir o tempo que levamos para executar determinada tarefa.

Muitos problemas podem ser resolvidos criando uma base histórica de desenvolvimento ou de analise de projeto, mas o problema está ao abrir o código. Você encontra um carretel de linha todo embaraçado.

Ao contrário de outras áreas, onde é possível de se enxergar a evolução de um projeto, exemplo construção civil – onde é possível verificar o tamanho e a velocidade que uma parede é construída – na nossa área não somos capazes de mostrar tal evolução, pois pode ser que apenas ao final da codificação percebe-se que não era para ser desenvolvido da forma que está, devido à falta de documentação ou da necessidade de se fazer as pressas. Por este motivo, faz-se necessária a criação de um padrão de desenvolvimento de software de uma forma clara e objetiva, além de uma boa analise do sistema.

Os sistemas legados são os grandes problemas das principais corporações, pois são sistemas remendados e que muitos desenvolvedores colocaram a mão, e como a visão da empresa está focada nas entregas, nem sempre é possível desenvolver um trabalho com qualidade, acarretando assim, muito retrabalho.

As empresas cada vez mais buscam prazos mais curtos, mas estão esquecendo-se de manter seu quadro de funcionários e valorizar os profissionais mais antigos. Novos funcionários levam até 6 meses para entrar no mesmo ritmo dos demais desenvolvedores. Quando o assunto é sistema legado, este prazo pode aumentar para até 1 ano!

Os sistemas legados não têm documentação física, ou seja, a documentação está na cabeça dos desenvolvedores mais experientes e estes por sua vez, devido aos prazos curtos, não se lembram de todas as regras do sistema e das “gambiarras” que tiveram que fazer durante o ciclo de vida do projeto. Por este motivo, todo sistema ao completar 5 anos deve ser repensado, pois sua arquitetura, provavelmente, estará obsoleta, o que pode trazer sérios impactos nos prazos de desenvolvimento e na inserção de novos desenvolvedores.

Como as aplicações estão cada vez mais integradas e em sistemas legados esta integração é cada vez mais prejudicial, pois como o sistema não tem documentação, qualquer alteração pode prejudicar toda a estrutura do software, além do fato de muitos desenvolvedores terem inseridos verdadeiros enigmas nos códigos.

O prazo, em sistema legado, é e continuará sendo um grande problema. As empresas devem encarar a realidade de reescrever suas aplicações e trazerem para uma realidade mais próxima do cenário atual. Assim, a equipe de projeto fará parte desta nova escrita e o conhecimento que antes era de alguns passará a ser de conhecimento de todos os envolvidos. Além da possibilidade de equilibrar o conhecimento da equipe é uma excelente possibilidade de documentar o sistema para futuros membros e aproximar-se das demais áreas da empresa para estudar as funcionalidades que estavam em utilização e as que caíram em desuso.

Ricardo Agostinho – @ric_agostinho

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6 Comentários

Cristiane Rodrigues
2

Excelente artigo !
A questão dos sistemas legados hoje em dia esta cada vez mais em evidência e uma nova visão é necessária para o sucesso de projeto de melhoria destes sistemas.

Marcelo Alberto Pinto
3

Bom texto, escrita coerente e alinhada a realidade de muitas empresas. Parabéns! Tem casos que são precisos verdadeiros videntes ou milagreiros para as coisas funcionarem. Falta definição de padrões e profissionais capacitados nas equipes para evitar que estes problemas começem a aparecer, pois depois que aparecem, o custo para trata-los não paga os benefícios que serão gerados.

Aline Zanin
5

Muito bom o post ric_agostinho … sistemas legados e como lidar com eles é um grande desafio aos nosso gerentes e projetistas, sempre que se falam as palavras legado e manutenção junto é encrenca na certa.

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