TI continuará como destaque nas fusões e aquisições no Brasil em 2011

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Por Miguel Abdo*

O Brasil bateu o recorde no número de fusões e aquisições em 2010, com 707 transações. O destaque no ano passado foi o setor de TI (Tecnologia da Informação), que realizou 72 negócios entre janeiro e setembro, segundo pesquisa da KPMG. A perspectiva para 2011 é que esse ritmo continue.

Podemos destacar algumas aquisições feitas em 2010, como a compra de 55% da CPM Braxis pela mundial de serviços de TI Capgemini. No mesmo mês, o grupo de private equity Silver Lake adquiriu também parcela da Locaweb. Outro exemplo é o grupo chileno Sonda IT, que comprou a Telsinc (empresa de integração de soluções) e a Soft Team (subsidiária da TOTVS que atua com soluções de software para as áreas fiscal, tributária e de auditoria). Em junho, o grupo anunciou ainda a incorporação da integradora Kaizen.

Entre as empresas brasileiras do setor de TI, o maior destaque é, sem dúvida, a desenvolvedora de softwares TOTVS. Desde 2006, a companhia conduziu 42 negócios, incluindo a RM, Datasul, parte da SRC Serviços em Informática Ltda e do TotalBanco Consultoria e Sistemas. Vale lembrar que a própria formação da TOTVS teve início exatamente com uma aquisição, quando a então chamada Microsiga adquiriu a Logocenter.

Ao longo dos anos, nota-se que houve uma mudança no cenário de aquisições e fusões no setor de TI. Até 2008, as compras realizadas, em sua maioria, eram conduzidas por empresas internacionais, como IBM, HP e Microsoft. Atualmente, está sendo caracterizado pela consolidação de empresas brasileiras, movimento liderado principalmente pela TOTVS e pela Stefanini.  Entre janeiro e setembro de 2010, 39 das 72 operações de compra no setor foram conduzidas por empresas nacionais.

Considerando que o mercado brasileiro de TI está em crescimento e atrativo, a tendência é que esse movimento de aquisições e fusões continue movimentando o setor ao longo de 2011. Com o mercado de grandes empresas consolidado, as transações agora devem acontecer entre pequenas e médias. Isso vale não só para o setor de TI, mas para os demais mercados no Brasil.

Enquanto que as grandes empresas já passaram por um movimento de consolidação, a expansão econômica traz um cenário cada vez mais promissor para as pequenas e médias. Segundo o IBGE, existem dezenas de milhares de empresas no Brasil com faturamento entre R$ 20 milhões a R$ 1 bilhão. E, muito provavelmente, estas companhias serão alvos de fundos de investimento e de multinacionais nos próximos anos.

A maioria das pequenas e médias empresas no Brasil, inclusive no setor TI, possui gestão familiar. Essas apresentam obstáculos na hora da reestruturação e um deles é amarrar a profissionalização da gestão.  Isso inclui como lidar com a figura do dono e da família que, em muitas vezes, têm dificuldade em se desligar do dia a dia da empresa.

As companhias que buscam uma fusão ou aquisição precisam se preparem antes da negociação. Investir em uma reestruturação é a melhor forma de conseguir o maior valor possível ao assinar a venda. Há consultorias especializadas nesse serviço que podem ser chamadas para preparar a empresa para ser adquirida, após um período de gestão profissional.

Antes de assinar a venda, é preciso solucionar alguns problemas. A maioria das empresas nacionais de médio porte apresenta um grau elevado de informalidade, problemas trabalhistas, fiscais e, até mesmo, ausência de um sistema de gestão corporativa. Investidores internacionais e fundos de investimento pedem, para primeira análise, uma série de relatórios que muitas dessas empresas não possuem. Isso faz com que promissores compradores desistam do negócio.

*Miguel Abdo é diretor da Naxentia, graduado em engenharia mecânica, possui especialização em General Management (Kellogg University), MBA pela Ibmec e extensão em Marketing na ESPM.Especialista em crescimento acelerado, antes de ingressar na Naxentia, foi diretor da Promon, Toshiba, DBA e United Technologies

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