Concurseiros e Profissionais de Mercado, quem leva vantagem?

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O corte de gastos proposto pelo governo no ano de 2010 diminuiu consideravelmente o número de concursos abertos no país. Se antes as vagas brotavam no país todo num ritmo alucinante, hoje são raros os concursos que oferecem boa remuneração. Os concursos da área de TI também estão incluídos aí. Basta olhar os abertos nos últimos 3 anos e fazer a comparação.

Essa diminuição do número de concurso abertos tem feito com que os profissionais de TI, antes focados nos concursos, os chamados concurseiros, busquem as boas vagas e passem a concorrer com os profissionais de mercado. Será que os concurseiros levam vantagem sobre os profissionais de mercado?

Quem já participou de um concurso na área, sabe que o nível de detalhe que um concurseiro tem de saber é muito maior do que um profissional de mercado. Opa! Não vamos confundir! Profissionais de mercado também têm de saber dos detalhes, mas não necessitam decorá-los a todo custo, podem consultá-los sempre que necessitar sem a pressão do tempo e do ambiente.

Pois é exatamente esse tipo de detalhe que faz toda a diferença num concurso e é a que mais salta aos olhos entre um concurseiro e um profissional de mercado. Se perguntarmos aos dois profissionais detalhes específicos sobre uma determinada área, é bem provável que o concurseiro bem preparado te responda de primeira e o profissional de mercado necessite consultar alguma referência, o que não é demérito nenhum.

Por outro lado, acredito que o concurseiro perca um pouco quando necessita relacionar assuntos das diversas áreas da TI e daí produzir uma solução. O profissional de mercado tende a ter mais facilidade ao “linkar” assuntos de áreas diversas.

Acredito que o mercado, hoje, valoriza bem mais a pessoa com facilidade em relacionar as áreas de tecnologia e negócios do que aquelas preocupadas apenas com os detalhes, salvo exceções, é claro.

Até agora tratamos por concurseiro, aquela pessoa que não tem experiência de mercado, e buscou desde a sua formação, uma carreira pública. Mas existem muitos concurseiros que foram ou ainda são profissionais de mercado.

Acredito que esses últimos levem vantagem sobre os demais no mercado de trabalho, pois, ao mesmo tempo em que possuem uma visão prática e atualizada sobre tecnologia, conseguem, quando necessário, entrar em minúcias sobre um determinado assunto.

Já nos concursos, acredito que num primeiro momento, os concurseiros “nativos” levem vantagem. Com um tempo de preparação de certa forma baixo, em comparação a um concurseiro, os profissionais de mercado que decidiram virar concurseiros, tendem a equilibrar essa disputa e alcançar um nível bem próximo.

Portanto, acredito que valha a pena sempre se preparar para o mercado e daí, num segundo momento, se for da vontade do profissional, virar um concurseiro e tentar o ingresso na carreira pública. Vale lembrar sobre o início do texto, concursos já ofereceram vagas melhores e em quantidades maiores. Será que vale a pena “parar no tempo” e aguardar a tão sonhada vaga pública enquanto o mercado privado se expande? Eu acho que não e vocês?

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10 Comentários

Felipe Lucena
1

Concordo com você. Também acho que não.

As vagas no Mercado Privado, apesar de não ter os detalhes de uma prova de concurso requer profissional mais qualificado que do público. Com a defasagem que temos de profissionais na área hoje os profissionais privados acabam por ser mais valorizados que os públicos.

O perfil de TI é mais voltado para Entrega de Serviço. Neste caso, o profissional privado tem uma maior responsabilidade na entrega de projetos e cumprimento de prazos. Aí fica por conta do que vale mais para cada pessoa.

Saulo
2

Colegas, acho que o mercado privado não é esse “mar de rosas” que muitos dizem. Prestar concursos públicos vale a pena sim! No meio privado em T.I, muitas empresas esquecem que a escravidão já foi abolida e exploram muito o profissional ou pedem currículos totalmente descabíveis, como por exemplo para um iniciante, com coisas que eles acham que são aprendíveis do dia pra noite e às vezes nem vão servir pra uma determinada função (http://www.youtube.com/watch?v=XYI4T0G-C_o). Ora essa! Se a iniciativa privada fosse “tão boa” não haveria tantas pessoas com 2 empregos, pessoas estudando p/ concursos, etc.
Concordo que existem profissionais competentes no meio privado mas, num país onde muitas faculdades tiram notas vergonhosas na avaliação de seus cursos chega a ser piada falar que competência, paixão e personalidade é uma regra no meio privado.
A maior responsabilidade é da própria pessoa na busca de tornar-se um profissional competente e disputado no mercado.
E o que costumamos ver na mídia e no dia a dia? Vemos que a maioria dos profissionais vive na média, no conformismo, são mal remunerados, trabalham em condições não ideais e, mesmo assim, não fazem nada para mudar o cenário. Isso é ser competente, ter paixão ou personalidade?
O fato de buscar um cargo público não tira o mérito do esforço, da disciplina e todas as demais variáveis necessárias para passar num concurso público e ampliar o conhecimento.
Num país onde muitas vezes quem sobe na vida não é o mais competente, e sim àquele que foi beneficiado pelas circunstâncias ou por questões subjetivas, não vejo nenhuma mediocridade em buscar um cargo público que possa lhe trazer melhor qualidade de vida.

Alessandro Albuquerque
3

Em resumo: o profissional de TI competente vai para aonde paga mais. O serviço público federal, em termos de tecnologia da informação, tem se modernizado drasticamente. Por quê? Migração dos melhores, experientes ou não, para o Estado em busca de melhores salários. Fecho com o Saulo.

Davi Parola
4

Vocês não acham que essa migração de bons profissionais para a área pública, em busca de salários melhores, pode acarretar, num curto espaço de tempo, o movimento inverso? Assim, com os bons profissionais em falta, o salário oferecido pelo mercado cresce (lei da oferta e procura), o que faz com que os profissionais voltem a procurar alternativas na iniciativa privada. Seria isso um ciclo? O que vocês acham?

Atenciosamente,

Davi Parola.

Saulo
5

Davi Parola

Acho difícil o salário no mercado privado ter uma melhora significativa que faça esse movimento inverso de forma tão radical. De fato, não tem lugar pra todo mundo na administração pública. Entretanto, com o crescimento da população, necessidade de novas tecnologias no meio público etc… a demanda por serviços na administração pública também cresce dependendo da necessidade. Pode ocorrer privatizações de determinados serviços, mas privatizar tudo não é o ideal no meio público. Bons profissionais também nascem e crescem no meio privado, isso não é exclusivo do meio público. Também não é regra pra nenhum dos dois meios.
Outra coisa, a procura pelo meio público ocorre também pela qualidade de vida, porque muitas vezes no meio privado de TI e outras áreas, as pessoas são pressionadas a viver PARA o trabalho e não DO trabalho.

Gustavo
6

Não concordo que um concurseiro saiba mais detalhes que um bom profissional. O concurseiro em geral não aprende, ele decora o assunto e não com uma profundidade e nível de detalhamento que um bom profissional sabe. Um exemplo que vejo é na área de redes de telecomunicações(infra. Quando os editais pedem protocolos de roteamento como OSPF e BGP, as bibliografias estudadas pelos concurseiros como Tanenbaum e cia, explicam apenas o funcionamento básico destes. Gostaria de saber se um concurseiro que não tem experiência prática nestes protocolos, sabe qual a funcionalidade de todos os atributos do BGP ( local pref, med, aspath, routerid ) tem qual prioridade no critério de seleção de rotas que o roteador utilzia para escolher a rota ativa. Ou para que serve e como são utilizadas as communities em BGP ( Estas seria uma boa questão de concurso, mas que eu nunca ví, pois são baseadas no básico).
Mas se objetivo do cara é passar em um concurso público entrar 9 sair 17 do trabalho , ter a famosa estabilidade e ganhar um salário maior que na maioria dos cargos privados, então este é o caminho( decorar sem saber como aplicar e ficar devendo em detalhes).

Saulo
7

Gustavo

Discordo de você em algumas partes, porque em concurso público não tem como você cobrar conteúdo com um nível de detalhe absurdo, eles não cobram só infra em todos os concursos de TI. Outras matérias são importantes também. A pessoa tem que ter noção do básico para depois avançar! Ninguém aprende tudo do dia pra noite de uma forma perfeita! Um bom profissional tem que ser generalista e especialista, ou seja, tem que ter pelo menos uma noção do básico e se especializar em algo durante sua vida! O conhecimento é cumulativo e é aperfeiçoado a medida que a pessoa vai aprendendo, aplicando e estudando mais teoria também! A teoria é aliada a prática! Ora essa! Os passos para se aplicar a prática tb são decorados e memorizados!
Outra coisa. De que adianta um profissional de TI trabalhar feito um condenado e não ter qualidade de vida? Qualidade de vida: um tempo digno pra família, amigos, namorada etc…, gastar o dinheiro que ganha sem pensar somente em trabalho 24 horas.
E outra já vi gente falando que tem medo de entrar de férias e consequentemente perder o emprego! Isso é qualidade de vida por acaso?
É sempre bom ganhar um salário maior de forma digna com o passar do tempo e perceber que está sendo realmente valorizado independente se o meio for público ou privado! Todo profissional quer ser valorizado!

Matteus
8

O mercado privado exige um currículo de experiência muito maior que os concursos públicos, sem dúvida. Isso implica que o profissional do mercado privado costuma ter uma experiência maior sim que a do concurseiro. Porém, são duas áreas distintas do conhecimento.
A experiência de um engenheiro de uma empresa privada é completamente diferente da de um aspirante a engenheiro da Petrobrás, porém não é tão diferente assim da experiência de um engenheiro senior da Petrobrás. Compare o aspirante a engenheiro com o concurseiro, ai sim teremos uma competência semelhante (ainda que em áreas diferentes do conhecimento).
Muitos dizem que alguém só é funcionário público por não gostar de trabalhar, e isso é uma meia verdade, já que funcionário público não trabalha pouco. Ele trabalha 40 horas semanais, como deve ser. O mercado privado que escraviza e exige condições sub-humanas de trabalho, exigindo horas extras, dedicação e esforço constante, sob uma ameaça eterna de demissão repentina, as vezes, só para equilibrar o valor das ações da empresa. Apesar de tudo, as empresas costumam recompensar bem quem dedica a vida ao trabalho com salários maiores que os encontrados em concursos. São mercados diferentes, escolhas diferentes, que exigem conhecimentos e perfis diferentes, possuindo recompensas diferentes.
Só fico pensando que conheço várias pessoas que abandonaram o mercado privado para o público, mas ninguém que abandonou o público para o privado. Isso talvez queira dizer alguma coisa.

anonimo
9

Em minha humilde opnião os salários do setor público são muito alto para a realidade. Quem paga a conta de salários exorbitantes somos todos nós brasileiros. O ideal seria diminuir o tamanho do Estado.
É verdade que existem empresas que exploram. Mas é sempre possível buscar outra oportunidade ou se unir a outros colegas para reclamar.

Pesquisem sobre Liberalismo Ecônomico.

Andre
10

Eu concordo com o artigo, até porque ultimamente o que eu tenho mais visto são profissionais(não só de TI, mas no geral) que por estarem “estáveis” no setor público, ficaram acomodados e muitas vezes sabem menos até que estagiários do próprio setor(conheço pessoas assim). Infelizmente, isso acontece e os casos não são poucos!!
Estou terminando o curso de Ciências da Computação agora, e vi que o mesmo receio que eu tenho muitos colegas aqui tem, que é o de fazer um concurso ser aprovado e com o tempo ficar acomodado, claro que isso só depende da pessoa, mas muitos acabam se valendo dessa estabilidade e acabam sentando na cadeira e fazendo o minimo que se pode fazer, porque afinal, no fim do mês sempre vai receber fazendo bem ou não o trabalho.

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