Distribuições Linux e seus lançamentos de versões

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Optar pela utilização de software livre deveria ser uma das opções ao se comprar qualquer computador, mas sabemos que proporcionar esse tipo de opção confundiria mais do que ajudaria o incauto usuário que procura um computador apenas para “entrar no Facebook e no MSN” além, é claro, do lobby existente pelos grandes fabricantes de software para que tal “disparate” não aconteça.

Mas o software livre, em especial as distribuições Linux, poderiam ser bem mais populares caso a comunidade em torno das mesmas não tomasse uma, ou algumas, atitudes bastante equivocadas do meu ponto de vista, me refiro nesse caso mais especificamente ao curtíssimo espaço deixado entre os lançamentos de versão estáveis dos sistemas.

Antes que comece o apedrejamento quero deixar claro que me refiro as duas distros que utilizo com mais frequência: o Fedora (presença constante no meu note) e o Ubuntu (que não sai do meu desktop), apesar de um pouco a frente deixar também minha opinião sobre os releases estáveis do Debian.

Desde sua concepção, tanto o Fedora quanto o Ubuntu mantiveram o ritmo de lançamento de duas versões estáveis por ano o que prova que essa já é uma cultura enraizada na comunidade, que clama por novidades para se distanciar cada vez mais do Windows em termos de design e funcionalidades. Mas para alcançar esses resultados, acredito que intervalos tão curtos entre os lançamentos não seriam indispensáveis, mesmo admitindo que os releases na maioria das vezes estão realmente estáveis. Por outro lado, é bastante irritante poucas semanas depois de atualizar o sistema ver que uma versão Alpha já está disponível e que antes mesmo de você se acostumar com a maioria das funcionalidades uma nova versão já foi lançada. Claro que alguns desses pontos só acontecem quando a nova versão difere bastante da anterior, como no caso do Fedora 14 para 15. Mesmo assim ciclos de lançamento maiores ajudariam os desenvolvedores a implementar e testar um maior número de funcionalidades e facilitaria bastante a vida de usuários menos técnicos que invariavelmente ficam perdidos com tantos números e codinomes.

O Debian, que mantém um ciclo médio de uma versão estável a cada dois anos, cumpre seu papel de forma adequada, visto que é um sistema para servidores, que logicamente pode ser usado em desktops, então seus releases devem ser exaustivamente testados para evitar grandes problemas no futuro. Para distros focadas no usuário final a média de 1 ano entre cada lançamento estável provavelmente conseguiria alinhar de forma adequada os principais itens envolvidos: a atualização constante do sistema, a satisfação do usuário e a manutenção e evolução da qualidade dos releases.

Além disso, o tempo que provavelmente seria poupado poderia ser usado em um ponto que, atualmente, considero o Calcanhar de Aquiles do Software Livre e o principal empecilho para sua adoção em larga escala: uma suíte de escritório.

É inegável que o principal trunfo da Microsoft é o Office, prova disso é que boa parte do faturamento da mesma provém dele. Também é desnecessário lembrar que uma suíte de escritório é indispensável à maioria dos usuários e que as versões livres, apesar da constante evolução, ainda deixam bastante a desejar em uma comparação direta.

Com o aumento do espaço entre os releases estáveis das distribuições o tempo recuperado poderia ser investido na melhoria do LibreOffice, por exemplo, que é a principal suíte de escritório aberta disponível hoje no mercado. Claro que resalvas devem ser feitas, afinal são projetos diferentes, que exigem profissionais e níveis técnicos diferentes, mas é em situações assim que a comunidade de Software Livre precisa mostrar sua força e superar esses empecilhos. No Brasil um passo importante foi dado em 2011 com a extinção da Associação BrOffice.org e os esforços revertidos em prol do LibreOffice, que passou a ser a versão mais indicada para nos brasileiros.

Logicamente existem diversos pontos de vista, também cobertos pela razão, para a manutenção do ritmo de lançamento dessas distros e outras tantas opiniões contrárias e a favor da união da comunidade em um único projeto, levando em consideração aspectos não citados nesse pequeno texto, mas para que se consiga uma evolução mais rápida e consistente em outros projetos esse esforço conjunto parece ser a opção mais razoável e acessível.

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3 Comentários

Maurício
1

Concordo, acredito que um período de tempo maior para o release das versões stable seria ideal para apagar essa imagem de que o software livre é feito “nas coxas” e que por isso nunca temos drivers de som tão eficientes e amigáveis ao usuário leigo. Também nos vemos obrigados a baixar diversos pacotes para configurar uma webcam. Fatores que somados ao uso leigo de um sistema operacional totalmente diferente daquele ao qual o usuário esta acostumado, culminam em fazer com que o o consumidor continue utilizando seu sistema operacional anterior. Afinal de contas, quanto maiores as dificuldades, mais correto o ditado “Não se mexe em time que está ganhando” fica.

rogerio
2

tmb concordo, esse prazo curto de lançamento do ubuntu acarreta uma serie de problemas para o usuario mais leigo, a usuabilidade é um deles, qnd c aprendeu a mexer na versão, lá vem outra e muda tudo

Felipe Rozelio
3

Muito bom cara, por isso que o Debian não sai do meu desktop e o OpenSUSE não sai do meu netbook!

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