A difícil arte de recrutar no mercado de trabalho

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Está ficando cada dia mais difícil recrutar pessoas qualificadas no mercado de trabalho. Essa dificuldade já não está mais restrita a um setor de atividade, mas permeia por todos eles indistintamente. No Brasil, devido ao crescimento da economia nos últimos anos e, por consequência disso, da redução da taxa de desemprego (atualmente por volta dos 6%), podemos afirmar que hoje em dia o rabo é de quem está correndo atrás do cachorro.

Esse crescimento brasileiro tem agravado a falta de mão de obra qualificada. Hoje existem muitas oportunidades de emprego para quem está procurando uma vaga no mercado de trabalho. Mas aí reside um perigo muito grande, que é a falta de qualificação dessas pessoas. Infelizmente o mercado de trabalho está cheio de profissionais diplomados e de baixa qualidade.

Isso se deve e muito ao baixo nível de ensino não só nas escolas de ensino médio, mas, também, nas de ensino superior que não preparam essas pessoas para enfrentar o mercado de trabalho. A proliferação de faculdades de baixo nível é algo assustador e isso pode ser constatado não só por exames que reprovam até 90% dos candidatos (caso do exame da OAB), como também pelos textos que se leem e onde se constata que a maioria mal sabe escrever e concatenar ideias. O nível de conhecimento de todos esses alunos vem caindo ano após ano e não se vê perspectivas de melhora no curto prazo. Para que haja essa melhora é preciso que todos, autoridades governamentais, professores, pais e os próprios alunos se conscientizem dessa necessidade de mudança.

Essa geração atual, que está vivendo e sendo criada em um ambiente tecnológico de ponta, não se utiliza de todo esse ferramental para o aprendizado, muito em função também do despreparo de quem tem a incumbência do ensino. Infelizmente a grande maioria dos professores está muito pouco familiarizada com essas novas tecnologias e o quanto elas podem ser úteis no auxílio à formação dos alunos.

Em função da escassez dessa mão de obra qualificada, para se conseguir um empregado de nível razoável, as empresas têm que fazer um esforço muito grande para tirá-lo da empresa em que ele está trabalhando e, também, oferecer muito mais benefícios do que aqueles que ele já tem.

Mas o que muitas vezes acontece, depois de um exaustivo processo de seleção e escolhido o candidato considerado ideal para a posição, esse empregado ao pedir demissão recebe da empresa atual uma oferta para continuar na empresa. É somente nesse momento que as empresas percebem a importância e a necessidade de se manter um bom funcionário do que começar a “via crucis” para a reposição. No entanto, o que é mais comum de se acontecer na hora de recrutar, é que nem nessa fase se chega, pois logo de início, ao se aplicar um mero teste de conhecimento sobre a área de trabalho, o que se vê, lamentavelmente, é um resultado sofrível. E muitas vezes esse candidato, não qualificado, deseja ganhar mais do que a empresa está disposta a pagar para esse cargo, o que em muitos casos é mais do que ganha um funcionário já qualificado, dessa mesma empresa.

A solução encontrada por muitas empresas, para reduzir esse problema, tem sido a contratação de pessoas com potencial, mas sem qualquer experiência, para treiná-las e capacitá-las através de cursos que sejam moldados à sua necessidade.

Pode-se afirmar com certeza que a seleção adequada de pessoas depende o sucesso ou fracasso de um empreendimento empresarial. O recrutamento e a seleção de pessoas são partes críticas da área de Recursos Humanos, pois o recrutamento custa muito caro para a empresa, mas a correção de eventuais erros cometidos nesse processo pode custar muito mais.

Tudo o que foi dito acima se aplica totalmente para o mercado de distribuição de produtos e serviços de TI. Nada é diferente. Os desafios e as dificuldades sempre foram e serão os mesmos. A distribuição de TI também enfrenta uma dificuldade que é a profissionalização do setor. A dificuldade para se encontrar gente especializada em TI, talvez seja bem maior que em outros setores, pois para muitas funções não existem cursos para a formação de mão de obra necessária. Isso acaba levando as empresas a investir na formação dessas pessoas, porém correndo um risco real de perdê-las, às vezes em troca de um salário maior, às vezes em troca de uma perspectiva futura melhor.

Acreditamos que com o crescimento da economia nos próximos anos, o grande desafio das áreas de RH das empresas não será somente o de recrutar pessoas qualificadas e capacitadas, mas principalmente o desafio de reter as mesmas na organização.

por Vladimir França: diretor executivo da ABRADISTI

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5 Comentários

heitor
1

Tenho dúvidas em relação ao que as empresas consideram “pessoa qualificada”. No meu ponto de vista, pessoa qualificada para as empresas é uma pessoa com QI 180, que trabalha a algum tempo(5 anos no mínimo) e que seja nada mais que um “ninja” no que faz, praticamente uma máquina. Quem está inciando precisam de um emprego para adquirir experiência e conhecimentos, mas as empresas só dão emprego para quem tem experiência. Como, então, que quem está começando vai conseguir emprego? As empresas recomendam estágio, trainee, só que quem já terminou os estudos precisa se sustentar, não dá para viver na aba dos pais a vida inteira. Nem todo mundo tem QI 180, nem todo mundo tem condições de estudar em faculdades renomadas, muitas vezes trabalha de dia para pagar sua “faculdade de baixo nível”. Realmente muitas instituições de ensino pecam, onde estudei foi assim e é até hoje, mas o grau de exigência das empresas é cada dia maior, e os benefícios, nem tanto. Por que não investir em treinamento para os funcionários? Preferem tirar funcionários de outras empresas ao invés de capacitar os próprios, preferem manter um funcionário despreparado do que treinar um funcionário, com medo que outra empresa “roube” seu funcionário. No meu ponto de vista, não é só autoridades governamentais, professores, pais e os próprios alunos que precisam mudar, as empresas também precisam mudar.

marcos
2

Está mesmo, falam da China mas aqui mesmo tem muitas empresas que querem pagar esse mísero salário mínimo, pelo menos as que procurei a uns tempos….

Marco
3

O mercado de trabalho quer pagar R$ 2.000,00 no máximo pq o cara acabou de se formar. Como acabou de se formar mto provavelmente ainda não possui um imóvel próprio e tem q pagar aluguel … sem chance no custo d vida das grandes capitais … Nível superior deveria ganhar no mínimo R$ 3.000,00 … e não adianta as empresas dizerem q queremos td sem esforço, então não foi preciso se esforçar p/ ficar no mínimo 4 anos na faculdade??? … E aí reclamam q não encontram mão de obra qualificada. Mão de obra qualificada está ganhando mto mais do q a maioria das empresas oferecem … Obs: Não sou um recém formado … mas essa é a realidade …

Rafael
4

Acredito que somente com as áreas de RH indicando ou oferecendo treinamentos adequados poderão acertar em suas contratações.

marcio
5

Exigem, exigem, exigem, porém, os salários são sempre um lixo, não há respeito ao horário de trabalho e você precisa investir muito para poder se manter no mercado que cada vez mais contrata de forma precária. A área de TI é uma farsa, não uma realização.

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