A problemática da modelagem manual das Arquiteturas Empresariais

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O crescente interesse, por parte das empresas brasileiras, na disciplina de arquitetura empresarial, motivado principalmente pela necessidade de adequação das organizações aos mercados cada vez mais ágeis e globalizados, tem levantado um conjunto de questões e receios face ao esforço necessário para obter resultados através de iniciativas de arquitetura empresarial

As organizações são realidades complexas e multifacetadas. Na sua descrição é habitual considerarem-se diversos aspectos como a cadeia de controle e report, os processos de negócio, a informação necessária à condução e gestão do negócio, os sistemas e tecnologias de informação, entre muitos outros.  A capacidade de mudança das organizações é fortemente dependente da forma como estes aspectos estão alinhados e são conhecidos pela organização.

A NECESSIDADE

A construção de algo implica a necessidade de estruturar a noção dessa nova realidade. Em áreas como Construção Civil e Arquitetura, é um pressuposto que Engenheiros, Projetistas e Construtores criem representações coerentes e articuladas dos edifícios que constroem. A ausência de uma visão integrada destas representações dificultaria a detecção de problemas, a identificação de áreas de melhoria, bem como a avaliação dos respectivos impactos.

Nas organizações, tal como na vida, ter consciência da realidade é essencial para poder atuar.

As representações partilhadas e compreendidas por todos são fundamentais, pois permitem detectar as diferenças entre a “realidade” e “o que deveria ser”. Este conhecimento é fundamental para preparar e definir as mudanças numa organização. Quanto maiores e mais rápidas forem estas mudanças, mais crítico é o conhecimento que a gestão tem da própria organização.

O PROBLEMA

Representar uma organização é uma tarefa extremamente difícil e, quando combinada com o esforço necessário para manter tal base de conhecimento atualizada, afigura-se uma tarefa praticamente impossível. Este é precisamente um dos maiores obstáculos que fundamentam o ceticismo das organizações quanto ao sucesso das iniciativas de arquitetura empresarial.

De fato, estudos mostram que um dos maiores receios das empresas que iniciam um projeto de Arquitetura Empresarial é o gasto e o esforço elevado com longos projetos e ferramentas de construção de diagramas que estarão desatualizados após um mês.

Este pressuposto de que a Arquitetura Empresarial implica a modelagem manual das várias sub-arquiteturas da empresa, nomeadamente através de ferramentas de modelagem, apesar de comum, é um cenário assustador. Isto porque qualquer alteração ou evolução nas representações arquiteturais da organização obriga a um esforço manual de atualização da base de conhecimento.

Alguns exemplos de ferramentas para modelagem de arquiteturas

Visão Arquitetural produzida numa ferramenta de modelagem

Visão Arquitetural produzida numa ferramenta de modelagem

Contudo, a modelagem manual é justificável apenas nos momentos de criação, onde se desenha algo que ainda não existe. De fato, a modelagem dos artefatos já existentes de uma organização pode ser automatizada tendo como base informação textual extraída de diferentes fontes da informação da organização.

Mesmo que estas fontes de informação não estejam atualizadas, o que é uma situação bastante frequente, o caminho aconselhável será atualizá-las para, em seguida, gerar os modelos de arquitetura necessários, ao invés de iniciar a utilização de uma ferramenta de modelagem com a construção manual de modelos. Esta solução poderá inicialmente apresentar resultados imediatos mas, a médio e longo prazo, a modelagem manual é algo insustentável para as organizações.

A SOLUÇÃO

Por forma a garantir a sustentabilidade de uma iniciativa de Arquitetura Empresarial, estas ferramentas devem ser ágeis e ter a capacidade de gerar modelos gráficos a partir de informações atualizadas, importadas das diversas fontes de informação da organização, como por exemplo, planilhas Excel, CMDBs, catálogos de serviços, de aplicações, de processos etc..

São ainda raras as ferramentas de arquitetura que levam em linha de conta esta preocupação. Porém, encontram-se já algumas, como é o caso do EAMS – Enterprise Architecture Management System, que permite gerar visões arquiteturais de forma automática e ainda navegar no tempo em cada uma delas como se de um filme se tratasse.

Neste paradigma, adotado pelo EAMS, não é sugerido que as equipes de produção e engenharia deixem de fazer modelagem dos produtos que estão a criar. Pelo contrário, a modelagem é fundamental na criação e construção de artefatos. Mas a inclusão destes modelos criados numa visão mais abrangente e numa perspectiva da Arquitetura Empresarial, onde se pretende realçar mais o relacionamento entre os artefatos do que o detalhamento de cada artefato, é um ato não criativo, e por isso mesmo pode e deve ser automatizado.

CONCLUSÃO

A diferença entre a modelagem manual e a geração automática de visões arquiteturais é abismal. Se o processo de modelagem for automatizado, é possível termos uma realidade onde o modelo da Arquitetura Empresarial se encontra sempre atualizado. Se este processo se mantiver manual, todos sabemos que só esporadicamente, para não dizer nunca, iremos ter o modelo da Arquitetura Empresarial atualizado e refletindo a realidade atual da Empresa.

Mas este paradigma não é novo e é lugar-comum em certos domínios. Por exemplo ao nível da infraestrutura, existem inúmeras ferramentas que analisam e produzem representações da mesma.

Concluindo, as ferramentas de modelagem manual são essenciais ao exercício da criação humana e às próprias áreas de engenharia e arquitetura. Porém, a produção de modelos de Arquitetura Empresarial é muito mais um exercício de cartografia do que um exercício de criação. Nesse sentido, as ferramentas de geração automática de modelos são instrumentos poderosos que permitem, de uma forma rápida e eficaz, obter dados e informação factual da empresa que poderá ser um suporte fulcral na tomada de decisões e na definição de estratégias de gestão empresarial.

Autores:

  • Prof. Pedro Sousa
  • Pedro Miguel Sousa
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Pedro Sousa

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Mestrado em Engenharia Informática e de Computadores pela Universidade Técnica de Lisboa. Estudioso de assuntos relacionados com Arquitetura Empresarial, Arquitetura de Sistemas, Processos de Negócio, Governança de TI e Engenharia de Software. Atua como consultor especialista em arquiteturas empresariais na Aitec Brasil.


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