Espionagem na Tecnologia: sua vida está sendo “monitorada” há muitos anos

AGRADEÇA AO AUTOR COMPARTILHE!

As revelações bombásticas de ex-analista contratado pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), Edward Snowden, trouxe a discussão em todo o mundo a respeito do tema “Espionagem”.

Já sabemos que o conhecimento é o ativo mais importante de uma empresa, assim como as pessoas que trabalham dentro dela. Uma informação sigilosa mal guardada, é passível de levar a quebra de uma empresa. Basta que um determinado projeto revolucionário seja de conhecimento do concorrente e pronto, o estrago está feito.

Imagem via Shutterstock

Imagem via Shutterstock

Imagine, então, quando informações sigilosas de uma sociedade inteira estão disponíveis para um determinado governo. E pior, sem o consentimento e nem de conhecimento dos coitados cidadãos que acreditam que possuem algum tipo de privacidade nos dias de hoje.

Não é a toa que diversos países e autoridades mundiais ficaram em uma saia justa quando determinados documentos oficiais foram divulgados para o mundo, principalmente através da organização sem fins lucrativos WikiLeaks. Diversos problemas diplomáticos surgiram com a divulgação de informações secretas. Espionagem?!

Vamos nos remeter ao nosso cotidiano e verificar se também não estamos passíveis de espionagem tecnológica sem ao menos termos noção desse “monitoramento” diário. Antes de tudo, posso afirmar com total convicção: se você usa a tecnologia no seu cotidiano, nem que seja para receber ou realizar ligações de celular, desculpe, mas, você está sendo monitorado.

A telefonia celular, pelo próprio nome que caracteriza a forma de funcionamento do serviço móvel de telecomunicação, que se utiliza de antenas transmissoras de sinal de celular (as chamadas ERB – Estações Rádio Base) para levar o sinal da telefonia ao seu aparelho.

É a comunicação do seu celular com as várias antenas em sua cidade que permite você se deslocar entre os bairros e municípios falando no celular sem que a ligação seja interrompida (conhecido como Roaming). Quando isso acontece (a queda de sinal é um grande gerador de reclamação nos Procons Estaduais) é porque uma determinada região está fora da área de cobertura de uma dessas antenas.

Mas o que tem a ver o sistema de telefonia celular com a espionagem tecnológica? Vou explicar: enquanto seu celular passa de antena em antena para garantir que tenha sinal, existe uma comunicação entre as antenas ERB e o aparelho. Com isso, todo os seu percurso e trajeto dentro da cidade fica registrado no sistema informatizado da operadora de telefonia. Eles sabem por onde você está passando e por onde passou através das antenas ERB, que repassam a latitude e longitude (geolocalização).

Ou seja, se você tiver inimigos dentro da operadora de celular e alguém, mesmo que de forma ilícita, quiser saber onde você se encontra, basta acessar o sistema interno da operadora e te localizar em qual antena seu celular está “conectado”, ou melhor, recebendo o sinal de celular. Isso não é espionagem?

Não vamos muito longe. A navegação na internet é rica em rastros deixados no computador para indicar quando você acessou determinados sites, quais assuntos você frequentemente pesquisa no Google e, assim, as empresas conseguem traçar o seu Perfil Econômico para divulgar produtos e serviços que tendem a se encaixar nas suas preferências.

Alguns vão falar que basta não aceitar os “cookies”, realizar a navegação privativa e outros recursos que dificultam essa “espionagem eletrônica”. Certíssimos! Mas convenhamos, esse procedimento de navegação é o padrão de todo internauta conectado na internet?

Claro que não! Você usa o Gmail, Hotmail ou outro webmail gratuito? Já percebeu que os anúncios que aparecem em sua caixa postal ou dentro da plataforma do webmail, em forma de banners, são de produtos ou serviços que encaixam nas suas preferências pessoais ou profissionais?

Por exemplo, no Gmail recebo anúncios de softwares, equipamentos de informática, ferramentas, etc. Como o Gmail sabe disso? Bola de cristal? Nada, nesse caso, basta um algorítmico no webmail para percorrer os e-mails recebidos e enviados e realizar uma indexação das palavras mais trocadas para montarem meu perfil.

O caso que mais chamou a atenção na mídia é a questão dos EUA gravarem todas as suas conversas do Skype, MSN e outros meios. O servidor principal dessas plataformas ficam onde mesmo? Quando você loga, a sua base de dados com o seu cadastro na rede social está aonde? Em um servidor no Brasil? Claro que não. Está lá, na terra do Tio Sam.

Basta o governo americano suspeitar de uma mensagem sua para você ser monitorado 24h. Se tiver conteúdo de terrorismo então, nem pense nas consequências. Aí que a espionagem acontecerá mesmo.

Ainda no Gmail, você pode perceber que as informações de quem acessa a sua conta e de qual IP você conectou. Está tudo disponível para eles. Quer ver? Entre na sua conta do Gmail e ao final da página da caixa de entrada, no canto direito inferior da tela, procure por “Details” (“detalhes” para quem usa o tema em português – Brasil). Ficou surpreso? Olha a lista dos IP’s de onde você estava para entrar na sua conta, a data, a hora, a versão no navegador… Se você tem a informação é porque eles também tem. E pior, desde quando você criou a sua conta.

Poderia dar inúmeros exemplos aqui, mas eu só quero levar ao debate que não podemos nos surpreender quando alguém falar que estamos sendo espionados na internet. Já abrimos há muito tempo mão da privacidade em nome da comodidade (nos casos de ter uma conta de e-mail sem pagar em troca do servidor saber o que eu gosto e o que eu ando fazendo).

Tem gente que se inscreve para determinados programas de televisão para expor toda a sua intimidade em troca de dinheiro. O que esperar então da tecnologia?

Só nos resta uma coisa: ter cuidado com aquilo que ainda temos controle, porque de resto, o que você achava que era só seu, já faz parte da internet (e de todos) há muito tempo.

Até a próxima!

AGRADEÇA AO AUTOR COMPARTILHE!

Roney Médice

Mais artigos deste autor »

Coordenador de Segurança da Informação do Terminal Retroportuário, no Porto de Vitória, com mais de 17 anos de experiência na área. Consultor de Segurança da Informação do Grupo Otto Andrade. Perito em Computação Forense. Membro Fundador do CSA - Cloud Security Alliance, Membro do Comitê ABNT/CB-21 em Segurança da Informação. Graduado em Ciência da Computação, Direito e MBA em Gestão de Segurança da Informação.


3 Comentários

Saulo
1

Roney, valeu pelo artigo. Ficou muito bom! Realmente essa é uma verdade que poucas pessoas querem enxergar. Principalmente os usuários finais que não tem tanto conhecimento sobre TI.

rodrigooporto
2

Olá Roney, falou tudo realmente trocamos nossa privacidade pela nossa comodidade. Agora fica a pergunta onde isto vai para?

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos com * são obrigatórios!

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">