O reflexo na caligrafia pelo uso excessivo da tecnologia

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A educação de um cidadão tem o seu início nos primeiros contatos com a alfabetização, momento onde a criança começa a traçar as primeiras linhas tortas no papel, a entender o mundo das palavras e o aprendizado de se viver em sociedade.

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Os professores tem um papel fundamental nesse instante da vida, que é dar todo o suporte para que a criança possa desenvolver todo o seu potencial de aprendizagem e consiga, a partir de um determinado momento, entender melhor o que acontece a sua volta.

A alfabetização é um processo pedagógico muito importante em nossa vida e que determina o momento em que passamos a compreender as letras, dar sentido as coisas e nos fazer comunicar com o mundo através das palavras, especificamente na forma escrita.

Inúmeros foram os momentos de alegria que nos fizeram ter que escrever longas mensagens com o próprio punho, outras de tristeza, mas com era bom escrever. Postar cartas nos Correios, fazer lista de compras e tantas outras ações davam prazer pelo momento de praticar a caligrafia. Sem falar que esta é uma atividade que mantêm saudável o nosso emocional e a nossa coordenação motora.

Entretanto, com a crescimento vertiginoso da internet, deixamos de lado o ato da escrita manual e passamos a nos comunicar através de “cliques” e “teclas”. Todos escrevendo do mesmo jeito, com uma “letra” padronizada e sem estabelecer no papel os laços individuais de cada um quanto à caligrafia.

Os computadores com os seus editores de texto, planilhas eletrônicas, e-mail e mensagens instantâneas fazem todo o trabalho de juntar as palavras e dar sentido a informação de uma forma única e “fria” – não trazendo para o texto digitado a emoção momentânea no ato da redação.

Atualmente, é normal observar que as pessoas estão ficando com a caligrafia mais difícil de ser entendida devido ao fato de se usar a tecnologia para escrever. Não temos mais o hábito de escrever de próprio punho textos e mais textos. Acredito que só estamos escrevendo em momentos bem específicos e por necessidade, não por prazer.

Se você faz um vestibular, pode ter uma redação que necessitará de ser escrita utilizando a sua caligrafia e não o computador. Provas discursivas em concursos (quando tem discursiva), assinatura de um cheque (que nem precisa de caligrafia, é um rabisco – rubrica) e outros momentos que são poucas as vezes para que se treine constantemente a caligrafia.

A tendência é ficarmos com a nossa caligrafia ruim a medida que priorizamos utilizar a tecnologia com os seus editores de texto, planilhas, celulares e tablets. Já estamos nos acostumando a fazer a lista de compras no computador, levar a lista impressa (quando imprimimos) e nem sempre precisamos mais assinar a via do cartão de crédito. Basta digitar a senha dos cartões que possuem chip ou fazer o pagamento em débito em conta.

Contudo, a mesma tecnologia que ajuda com as nossas atividade diárias é a mesma que prejudica a nossa caligrafia se não praticarmos a escrita manual. Na natureza, os animais (e o bicho homem) se adequam ao meio em que vivem para continuar a sua sobrevivência (diga-se de passagem os vírus humanos, que devido ao uso de antibióticos precisam realizar mutação para perpetuar a espécie e ficar imune ao remédio), por isso, precisamos nos adequar para evitar que fiquemos sem poder escrever devido o uso excessivo da tecnologia.

Até a próxima!

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Roney Medice

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Coordenador de Segurança da Informação do Terminal Retroportuário, no Porto de Vitória, com mais de 22 anos de experiência na área. Consultor de Segurança da Informação do Grupo Otto Andrade. Membro Fundador do CSA - Cloud Security Alliance, Membro do Comitê ABNT/CB-21 em Segurança da Informação. Graduado em Ciência da Computação, Direito e MBA em Gestão de Segurança da Informação.


6 Comentários

Fabrício
1

Olá Roney.
Descordo quando você embuti na Alfabetização o início da educação do cidadão. Além disso, a alfabetização não inicia na escola.
As primeiras linhas tortas, o entendimento dos signos/letras/símbolos e o aprendizado para conviver em sociedade inicia no convívio familiar e não com o professor em sala de aula.
O professor tem papel importante no auxílio para construir bons leitores e não escribas.
Se hoje nos expressamos de forma mais digital, devemos tirar proveito disso e não reclamar.
Da mesma forma como a educação não é igual com o passar dos anos, é normal que ocorra o mesmo com processo de escrita. E isso não é ruim.
Abraço!

Roney Medice
2

Fabricio,

Entendo e respeito a sua posição. A questão da alfabetização para iniciar a educação como cidadão ainda acredito que é na escola que o aluno vai aprender com as “diferenças” entre os amigos da sala de aula, o respeito e a necessidade de doar para receber.

Muitas famílias no âmbito familiar não tem o “tempo” necessário para ensinar aos seus filhos, muitos pais na geração presente, trabalham o dia todo e não vai ser em alguns minutos com o convívio com os pais que os pequenos vão ter o aprendizado educacional e muito menos na forma de escrever correto.

Entretanto concordo que a posição do professor é um auxiliador no processo de aprendizagem e fiz uma correlação do aprendizado da escola com a forma escrita para se chegar ao objetivo do artigo que é a consequência na escrita de se usar muito a forma digital, sem desmerecer os benefícios da tecnologia apenas levantando um ponto para ser refletido que a caligrafia em si.

Luiz Cataldo
3

Roney, excelente texto e parabéns por questionar algo muito importante, que pelo visto muitos ignoram conforme comentário anterior.
Sds,
Luiz Cataldo
Profissional de TI e esposo de um professora (q sempre questiona o problema)

CARLA MARANHÃO
4

Roney,

concordo plenamente com você, inclusive eu quase não tive oportunidade de estudar em caligrafia, por isso tenho uma letra muito feia.
Pois o problema não é a tecnologia, mas as crianças devem aprender a ler e escrever depois do uso do computador para não prejudicar o seu desenvolvimento psicomotor. Então, devemos usar o livros, cadernos de desenho e a caligrafia para desenvolver a criatividade, criar histórias imaginárias etc. Isso tudo ajudará as crianças a serem mais inteligentes, mais comunicativas, devido a interação com professor, colegas de sala de aula, a família e com certeza aprenderão usar melhor a tecnologia quando tiverem em sua frente um grande arsenal de conhecimentos e mundo para se comunicarem.

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