Perito Judicial: os obstáculos para se fazer da Computação Forense uma profissão

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No seriado americano CSI é possível ver peritos esclarecendo crimes através de ferramentas forenses, técnicas de investigação e muita ação nas ruas. Logicamente, no seriado temos uma grande pitada de sensacionalismo dramático com as investigações de homicídio que nada se parecem com os processos de investigação de crimes eletrônicos realizados aqui no Brasil.

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Entretanto, o ato da investigação e da busca permanente de evidências utilizando-se de ferramentas forenses já não são exclusividades dos seriados estrangeiros. O perito judicial, quando se depara com uma lida processual em que precisa responder aos quesitos (perguntas) das partes e do juízo, necessita de conhecimento técnico para realizar o seu trabalho de perícia e já dispõe de vários softwares forenses para realizar o seu trabalho.

Não basta ler um livro específico de computação forense ou realizar um curso específico de algumas horas se o futuro perito não tiver uma base educacional em tecnologia. O que percebemos no judiciário é que há uma enxurrada de laudos periciais sendo contestados por bons advogados que, com a ajuda de verdadeiros assistentes de perito e formados em tecnologia, conseguem neutralizar um trabalho investigatório em favor do seu cliente utilizando meramente os conhecimentos de tecnologia para respaldar os argumentos que derrubam um laudo pericial.

Os peritos nomeados pelo juízo, nesses laudos periciais contestados e muitos até anulados, são pessoas de “confiança” do juízo mas sem o preparo técnico para tal. São administradores de empresas, engenheiros civis e outros profissionais de diversas áreas que só participaram no processo como perito, pois fizeram em algum momento de suas vidas uma especialização em tecnologia que, a princípio, daria um respaldo técnico.

Contudo, sabemos que muitos peritos judiciais são indicados para realizar um laudo pericial devido a aproximação com o titular do Fórum, da Comarca e do próprio Tribunal. Precisamos levar em conta que esse tipo de atitude só afasta os bons peritos que poderiam dar uma melhor contribuição ao judiciário, trazendo repostas fundadas e esclarecedoras para auxiliar na decisão final de uma sentença no processo.

Ainda assim, mesmo que o profissional de TI tenha uma qualificação especial para proporcionar um cadastro inicial no fórum como perito judicial, temos que lembrar que a frequência de nomeação como perito nos processos não é de intensa ocorrência. Resumindo: dependendo da comarca, mesmo que você esteja devidamente qualificado para se tornar um perito judicial, pode ser que seja nomeado umas três vezes no ano para auxiliar o judiciário com os préstimos de seu conhecimento forense. E quando é nomeado!

Dependendo da esfera que pretenda “encarar” o exercício da computação forense, como a justiça trabalhista, os honorários possuem uma referência mediana e o valor máximo pago por cada perícia realizada para o Judiciário pode não ser atraente para o candidato. Em determinados Estados da federação, é lastimável o valor irrisório que é pago para realizar um laudo pericial. Ainda pior é o momento de receber: ao final do processo, quando recebe.

O Mercado está aquecendo para a computação forense mas a demanda de cursos pelo Brasil ainda é tímida. Não existe um número expressivo de cursos de pós-graduação em computação forense. Alguns cursos divulgam uma oportunidade para se especializar mas quando se analisa a ementa e a grade curricular, muita matéria é de segurança da informação e poucas são realmente de computação forense.

Não estou aqui desiludindo ninguém a não querer trabalhar como perito forense ou com a computação forense, mas veja as possibilidades ao seu redor antes de abandonar um real emprego no momento para decidir querer viver de renda do trabalho de perito forense.

Sugiro realizar atividades e serviços de conhecimento forense de forma particular, através de consultorias nas empresas ou até mesmo atuando como assistente de perito que é pago pelas partes para acompanhar o trabalho do perito judicial. Nesse caso, o pagamento do assistente é mais tranquilo e certo de se receber com menor tempo de espera.

A computação forense tem o seu “glamour” devido ao desconhecimento da mesma por grande parte dos profissionais de TI. Entretanto, temos que ter pés no chão e encarar o trabalho de um perito forense como qualquer trabalho honesto e duro de se executar.

Quem sabe não teremos no futuro bons investigadores forenses dominando o judiciário Brasileiro?

Até a próxima!

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Roney Médice

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Coordenador de Segurança da Informação do Terminal Retroportuário, no Porto de Vitória, com mais de 17 anos de experiência na área. Consultor de Segurança da Informação do Grupo Otto Andrade. Perito em Computação Forense. Membro Fundador do CSA - Cloud Security Alliance, Membro do Comitê ABNT/CB-21 em Segurança da Informação. Graduado em Ciência da Computação, Direito e MBA em Gestão de Segurança da Informação.


7 Comentários

Nicholas Dias
1

Matéria muito boa! Acho muito interessante a função de perito forense. Sou formado em Direito e agora me formarei em Redes, curso já em andamento. Espero poder conhecer mais dessa profissão que é de fundamental importância para a Justiça.

Jefferson
2

Gostei muito da matéria sobre computação forense, gostaria muito de saber curso ou livros bons que você sabe… Fico no aguardo.. Jefferson Neoli Curso Ciência da Computação…

Patricia
3

Olá, estou cursando Sistemas de Informação e Técnico em Informática, pretendo cursar uma pós- graduação e me interessei nesse assunto sobre Computação Forense. Analisando as grades das instituições que oferece o curso de especialização em perícia digital, não encontrei nada relacionado com programação, então gostaria de me informar se precisa saber programação nessa área para as devidas investigações? No entanto, tenho dificuldades com programação.

Micheli
4

Faço minhas as palavras da Patrícia.
Sou formanda em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, meu TCC está sendo sobre COMPUTAÇÃO FORENSE. Estou encantada cada dia mais. E gostaria também de saber se em meio à Computação Forense, há algo relacionado à programação.

Micael Lemos
5

Olá, Micheli!

Vamos fazer nosso TCC sobre Computação Forense também.
Se você tiver algum estudo de caso ou qualquer outra ferramenta, artigo, etc que possa nos ajudar a agregar conteúdo ao nosso trabalho, por favor, envie por e-mail: [email protected]

Também podemos compartilhar com você algumas pesquisas e estudos de caso que já desenvolvemos.

Att.,
Micael Lemos

Rodrigo
6

Olá, estou fazendo um TCC sobre Computação forense, gostaria de saber se você possui algum material que possa ajudar a desenvolver o trabalho.

Obrigado.

Talitom
7

Muito boa a colocação, mas acredito que já é um mercado que está em expansão os primeiros profissionais tem grande chance de se destacar no mercado, fácil não e… mas quem chega primeiro bebe água limpa.

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