5 erros praticados quando não se consulta um profissional de TI antes de comprar um computador

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Quando você tem um problema legal, uma pendência na justiça, tem um ou mais direitos feridos… VOCÊ CONSULTA UM ADVOGADO.
Se você quer construir ou reformar a sua casa ou outro qualquer empreendimento… VOCÊ CONSULTA UM PROFISSIONAL DE ENGENHARIA.

(…)

Poderíamos citar vários exemplos de profissionais que as pessoas confiam (ou necessitam) antes de tomar uma decisão importante, mas prefiro resumir para não tornar o assunto cansativo e o profissional de TI ainda mais desvalorizado.

Imagem via Shutterstock

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Abaixo cito 5 erros comuns que o consumidor (pessoa física ou jurídica) pratica quando não consulta um profissional de TI antes de comprar um computador.

1 – O primeiro erro ocorre quando não se consulta um profissional de TI antes de investir dinheiro num equipamento.

O fato de ninguém consultar um profissional de TI quando vai comprar um computador é muito comum, corriqueiro, e acontece da pessoa “namorar” uma super máquina, pagar por um computador básico e descobrir mais tarde que não era bem aquilo que ela queria.

Tudo que é novo geralmente recebe mais foco e mais atenção até passar a fase da novidade, depois ele se torna mais um objeto.

Outro fato importante é que as pessoas tendem à centralizar tudo num só objeto. Por exemplo, a pessoa tem um equipamento de som excelente mas quando compra um computador deseja obter o mesmo desempenho do som no computador e quando descobre que para isto deve fazer um upgrade, percebe que não era bem aquilo que ele esperava. Isto acontece porque ele foi mal orientado a respeito das limitações que o equipamento tem. Um outro exemplo é o caso de jogos, a maioria dos jogos exigem uma certa configuração de vídeo e processamento mais avançada (memória de vídeo dedicada, por exemplo) e durante a venda e até nos comerciais de computadores é comum mostrar o desempenho sem mostrar o que há por trás desse desempenho.

A falta de orientação por parte de um profissional de TI faz com que uma aquisição se torne uma decepção para o consumidor.

Isto nos leva ao segundo erro…

2 – As pessoas nunca procuram saber quais as configurações do seu equipamento.

  • Você saberia dizer qual é o processador que veio em seu computador (seja qual ele for)?
  • Qual a frequência em Hertz que ele trabalha?
  • Quanto tem de memória RAM?
  • Qual a capacidade e armazenamento em disco?

Se você respondeu SIM para todas as alternativas, meus parabéns, você jamais compraria “gato por lebre”. Mas não é o que 99% das pessoas fazem, pois nunca sabem dizer quanto de memória RAM tem e é comum, como técnico, receber a seguinte resposta: “Ah, é muita coisa, moço, mais de 100…” – É claro que ele(a) está se referindo ao espaço em disco.

Este é um dos problemas mais comuns que eu encontro no exercício da minha profissão, onde tenho que fazer um diagnóstico antes de abrir ou ligar o computador porque o proprietário nunca conhece seu equipamento.

Eu sou o tipo de profissional que explica para o cliente cada detalhe de seu equipamento. Tenho por hábito explicar o que é cada coisa e cada função, porque pior que cliente mal informado, é cliente mal orientado.

Quando você consulta um profissional de TI você já sabe de antemão o que comprar e se o produto oferecido está de acordo com o preço que é oferecido, além de não correr o risco de comprar um produto que está na promoção por estar obsoleto.

3 – As pessoas nunca perguntam se o sistema que está instalado em seu computador é adequado.

Muitos técnicos são meros “formatadores”, sequer avaliam o equipamento antes de instalar um sistema operacional. Os fabricantes colaboram com a documentação (pelo menos as descrições básicas) e o técnico acha que qualquer sistema funciona em qualquer equipamento, quando, na verdade, existe um sistema adequado para cada hardware. Posso citar, por exemplo: processadores VIA e Atom não funcionam adequadamente na plataforma de 64bits, o VIA nem é compatível.

Já consegui, em teste de laboratório, averiguar que Antivírus, como o Avast e o AVG, deixam os computadores com estes processadores tão lentos que ficam praticamente inoperáveis.

Outro exemplo muito comum é o fato do “técnico-formatador” instalar um sistema x86 (32 bits) num computador com mais de 3G de RAM, o que equivale a ter uma Ferrari e andar à 30 Km/h numa rodovia, ou seja, desperdício de hardware.

Por que equipamentos da empresa Apple dificilmente apresentam problemas de sistema? Porque, ao contrário da arquitetura aberta (chamada também de IBM, que é padrão na maioria dos computadores domésticos), a Apple elabora todo um projeto de sistema baseado no hardware, considerando todos os fatores de engenharia de hardware, enquanto que no padrão IBM as empresas lançam o hardware e depois as empresas e os técnicos vão “se matar” atrás da compatibilidade.

Com a orientação de um profissional de TI (técnico, não mero formatador) o consumidor tem a certeza de que o sistema que será instalado em seu equipamento é o mais adequado para aproveitar os recursos que o hardware pode oferecer. Um exemplo muito comum é quando o consumidor adquire um notebook com tecnologia 3D e o técnico da loja não instala os softwares que oferecem esses recursos e muito menos orienta o consumidor que os óculos são indispensáveis para o funcionamento do 3D.

4 – As pessoas compram por impulso e isso resulta, na maioria das vezes, em maus negócios.

Você pega um “jornalzinho” ou recebe um email com uma promoção “arrebatadora”, compra e depois se sente frustado porque descobre que não era o que esperava.

Isto acontece porque vendedor apenas vende e geralmente é ignorante (nos detalhes) por padrão, portanto, ele não sabe dizer qual é o modelo mais recente, qual o sistema mais adequado, quanto tem de espaço em disco… ou seja, ele quer vender e você acha que “promoção” é pra estimular as vendas, mas, na verdade, é para se livrar de equipamentos obsoletos ou “emperrados” na loja.

É muito comum em anúncios estarem expressões como: “Notebook CCE Ultrafino Intel Dual Core 2GB 500GB Tela 14″ Preto”. Depois, nos detalhes, você lê: “Celeron Dual Core”. Isso acontece porque a loja sabe que o processador Celeron tem fama de ser ruim. Mas, na verdade, o Celeron é um projeto da Intel para competir – em preço – com outros fabricantes de processadores, como a AMD e não quer dizer que ele seja totalmente ruim, significa que ele é mais modesto.

Por isso é importante consultar um profissional de TI antes de fechar negócio, pois o equipamento pode não oferecer os recursos que se espera. Pergunte para um profissional sobre a capacidade oferecida para que ele veja se é o que você espera do equipamento.

5 – Você pode ter sido vítima de falsificação de software

Quem nunca recebeu a famosa mensagem como na imagem abaixo?

pirata

Pois é… se você pagou 60, 80, 100 reais para aquele técnico “formatar” seu computador, saiba que você pode ter sido enganado.

O que acontece é que se você compra o equipamento e ele vem com o sistema da Microsoft (Windows), pode ser que tenha sido a famosa “venda casada”, que é fruto da parceria de empresas com a Microsoft, e neste caso seu sistema é original.

É fácil identificar o software original, basta atualizá-lo (ou ativar as atualizações). Se não aparecer a mensagem acima, provavelmente (digo provavelmente porque isto também pode ser contornado) ele é original. Algumas versões vem com um selo (geralmente colada no fundo ou em algum lugar do gabinete/carcaça do equipamento).

As vezes vem com uma versão básica, com recursos limitados (como troca de papel de parede, temas, etc…) ou mesmo quando uma empresa compra para uso comercial (em escritório, com redes, recursos compartilhados) e descobre que aquele sistema não vem com os recursos que sua estrutura exige, sem dizer no fato de que usar um sistema com licença para uso doméstico em ambiente corporativo é considerado crime.

Se você comprou e veio com o Linux e você mandou “formatar” saiba que fez um péssimo negócio, porque o Linux tem mais compatibilidade de hardware que o Windows.

Por isso, antes de “mandar formatar” consulte um profissional para saber se o sistema que veio “atrelado” ao equipamento é adequado para o uso que você tem em mente.

Como podemos ver, estes 5 erros são os mais comuns. Num outro artigo apontarei mais 5 erros que se comete quando se adquire um equipamento de informática sem consultar um profissional de TI.

Se você tem mais alguma ideia em mente, compartilhe abaixo para que possamos estimular a mudança de atitude nas pessoas e para que elas passem a valorizar mais os profissionais de TI.

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José Ferreira Netto

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Bacharel em Sistemas de Informação pela ULBRA - CEULJI - CAMPUS DE JI-PARANÁ/RO, Usuário desde o MS-DOS 6.10 - Fã de Tecnologia e de Sistemas Windows e Linux - Gosto de compartilhar conhecimento, idéias - Atua como Administrador Técnico de Depto. Informática para Serviço Público.


9 Comentários

Claudio Santhiago
1

Interessante o artigo. Acrescento ainda que quando somos consultados a primeira pergunta que devemos fazer seria, obrigatoriamente, a velha: o que você pretende fazer com este equipamento? Se para lazer ou trabalho?
A partir da resposta do cliente, seguirá a orientação adequada.

Claudio Santhiago
2

Interessante o debate. Acrescento ainda que, ao sermos consultados, devemos obrigatoriamente, fazer as perguntas: “Para que você quer comprar este equipamento? O que quer fazer com ele? É para lazer ou trabalho?” A partir daí, seguirmos a orientação mais adequada, mesmo que ele “sofra” em saber que o que ele sonhava não seria o que realmente irá adquirir.

Abraão George Halcsik
6

Concordo plenamente com o artigo.

Aproveito para sugerir a elaboração de um artigo com o tema que aborde o serviço de assessoria na aquisição de produtos e serviços de software, já que o assunto pode ser ampliado também para aquisição de sistemas operacionais, softwares aplicativos, softwares de controle empresarial, servidores, serviços (internet, etc…).
No meu ver, é possível prestar assessoria em diversos outros itens.

Abraão George Halcsik
8

Exatamente, Netto.

Creio que todo profissional de TI já se deparou com dúvidas de usuários sobre qual melhor equipamento comprar, melhor software, etc…

Porém, tenho pensado sobre como utilizar (e até aprofundar) este conhecimento e oferecer um serviço especializado, tanto para empresas como para pessoas.

Creio que valorizar o profissional de TI significa valorizar este tipo de conhecimento.

Porém, tenho sentido falta de material, artigos , etc… sobre o tema.

Abraço

Marcos Arley
9

Netto, boa noite:

Gostei muito do seu artigo e pensando em artigos semelhantes, quando sou consultado sobre máquina a ser adquirida a primeira pergunta que faço é como o cliente vai usar. Procedi dessa forma em uma máquina que montei a menos de 1 mês e o micro está voando. Concordo 100 porcento com seu artigo por experiências próprias, há usuários que querem que o seu computador ” ande como uma Lamburguini ou Ferrari”, mas possui um motor de “Fiat 147″(nada contra a quem tem inclusive, rs), mas pra bom entendedor, meia palavra basta. Falta muita informação e muitas pessoas conhecedoras da área que não informam esses detalhes. Continue escrevendo artigos do gênero.

Um abraço

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