Fazer mal feito dá mais trabalho do que fazer direito

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Na sociedade capitalista em que vivemos, o foco pelo lucro a qualquer custo é uma característica marcante. E o setor de TI está vivendo isso de forma preocupante. 

Hoje, cada vez mais as empresas querem antecipar o faturamento com entregas de baixa qualidade. E para recuperar os problemas gerados (leia-se: defeitos, bugs, inconformidades), elas acabam recorrendo a contratos de “manutenção” – para arrumar o que deveria ter sido feito de forma correta (leia-se: com qualidade).

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É claro que não vou generalizar dizendo que todas as empresas são assim, pois, não é verdade. Entretanto, temos um grande número de empresas trabalhando de forma reativa e não respeitando os critérios mínimos de qualidade esperado por qualquer usuário ou cliente que solicite um resultado, produto ou serviço de TI.

A cada ano, mais profissionais de TI saem das faculdades, engrenam em uma especialização, fazem cursos de extensão, certificam-se em boas práticas, linguagens de programação, metodologias e tantas outras qualificações que existem no mercado. Só que, infelizmente, não conseguem desempenhar seu trabalho da forma certa pela qual se qualificaram para saber fazer, pois, precisam entregar o quanto antes, a fim de liberar o faturamento para o comercial.

E assim, os produtos vão perdendo a qualidade, release após release, fase após fase do projeto. Uma desgastante realidade que assombra a vida de muitos profissionais.

O preço desse retrabalho é tão alto, que eu não pago, e nem permito que minha equipe pague. Para mim, fazer direito dá muito menos trabalho do que fazer mal feito.

Já recebi produtos que fui obrigada a rejeitar de primeira, sem chance de negociar, pois, não posso aprovar algo que não respeite os mínimos critérios de qualidade. Eu zelo muito pelo meu nome, e, acredito fielmente, que sempre é possível produzir de forma minimamente aceitável – ajustes podem ser feitos, mas nada que necessite refazer do zero.

Pago um preço alto por ser assim, muitas chefias não aceitam essa minha forma de trabalhar, pois, acreditam que retrabalho é algo corriqueiro, comum, e que o lucro deve sempre falar mais alto. Mas, não me arrependo de ser fiel a esse valor que a qualidade é para mim. Eu sei o quão difícil foi minha formação, a construção da minha carreira e também conheço a expectativa do meu cliente. Acho que lutar pela qualidade é uma forma de respeitar e honrar a si próprio, a equipe, a empresa e ao cliente.

O pensamento que deixo hoje para vocês é esse: “Fazer mal feito dá muito mais trabalho do que fazer direito. Então, dedique o seu melhor em cada resultado que gerar. Imprima qualidade como sua marca pessoal.”

Boa sorte.

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Carolina Souza

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Especialista em Gestão de Carreira Empresarial, em Gerenciamento de Projetos [PMP] e Engenharia de Requisitos [CPRE-FL] com 15 anos de vivência no mundo corporativo. Atua como coach, consultora, palestrante e mentora nas áreas de gestão, liderança, processos operacionais e desempenho de equipes. Colunista de revista e site especializados em TI.


4 Comentários

Arjun Fiala
1

Digo por experiência própria, é muito mais lucrativo tanto pra empresa como pra nós mesmos que usamos o nosso próprio raciocínio para executar tarefas, se com um pouco mais de paciência, digo, uma ampla visão sobre o que se está fazendo, se preocupando com o interno e com o externo, torna muito mais fácil e prazeroso fazer o que tem de ser feito…

Hemerson Vianna
2

Excelente artigo. Infelizmente, em algumas empresas o foco é na venda e são estipulados prazos que comprometem qualquer estimativa de um projeto de qualidade.
E isso pode até prejudicar o profissional, pois boas práticas, como já fica explícito, vem com a prática. E pegando projetos em sequência que não deixam que esse modelo seja seguido, o profissional pode ter que se reciclar futuramente, para continuar com o pensamento que tinha.
Muito bom o ponto de vista, afinal é o seu nome e dedicou tempo, dinheiro e etc.. para ter o conhecimento que tens hoje.
Parabéns!!.

Fernando Bagno
3

Muito bom! É exatamente assim que nós encontramos lugares onde a ideia do “faz e resolve de uma vez” se propaga como verdade absoluta e, claro, sempre acabamos por retornar naquela atividade e ou refazê-la ou dar uma manutenção que demorará muito mais tempo do que se feita corretamente. Há mais de 8 anos desenvolvedor sistemas e de todas as empresas que passei posso dizer que apenas UMA se importava em fazer com qualidade. Mas isso só porque os programadores exigiram isso dela.

Triste realidade!

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