Você conhece a diferença entre Software e Sistema?

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Olá, pessoal, tudo certo?

Desde quando iniciei a minha carreira no ramo de programação, sempre observei que alguns desenvolvedores dizem “software” enquanto outros dizem “sistema”. A princípio, eu pensava que os dois termos eram idênticos, mas, na verdade, existe uma diferença! Acompanhe o artigo e saiba quando estes termos devem ser empregados de forma adequada.

Imagem via Shutterstock

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“Eu tenho um sistema de controle de estoque desenvolvido em Delphi…”

Quem já não ouviu uma frase parecida? Ela parece não ser ambígua. Ao ouvirmos, sabemos claramente que o desenvolvedor possui uma aplicação que controla estoques. Neste contexto, simplesmente interpretamos a palavra “sistema” como “software”, sem sabermos que são significados relativamente diferentes. Sem mais delongas, já vou apresentar as definições a seguir.

Escrevemos linhas de código na nossa ferramenta de desenvolvimento e compilamos os arquivos para gerar um executável, certo? Esse executável (também conhecido como artefato) é o que chamamos de software. Em outras palavras, é o programa que será instalado no computador do usuário e disponibilizado para uso. Mas não é só isso! O termo “software” ainda engloba os arquivos que serão distribuídos com o executável, como bibliotecas, banco de dados, demais arquivos de configuração e, claro, a documentação do programa.

Um sistema, por sua vez, é um conjunto de softwares que se interagem para atingir um objetivo em comum. Portanto, quando mencionamos “sistema”, estamos nos referindo a uma solução abrangente que envolve várias partes interligadas, oferecendo um composto de funcionalidades para atender as necessidades do usuário.

Ainda não ficou claro? Sem problemas. Vamos partir para os exemplos e analogias! :)

Considere um leitor de DVD de um computador. Esse hardware, por si só, não faz nada. Para que ele funcione apropriadamente, é necessário conectá-lo à placa-mãe para a transferência de dados. Da mesma forma, a placa-mãe deve estar conectada à placa de vídeo para exibir as imagens. Logo, as partes envolvidas nessa funcionalidade formam um sistema, no qual poderíamos definir, por exemplo, como “sistema de reprodução de DVDs”. Já o programa que você utiliza para abrir o DVD, este sim é o software.

Observe que um sistema não compreende somente a parte lógica (software), mas também as partes físicas (hardware). Se uma empresa de desenvolvimento fornece um leitor de certificados digitais junto com um software para gerenciá-los, então é correto afirmar que a empresa provê um sistema de gerenciamento de certificados digitais. Por outro lado, supondo que o cliente já tenha um leitor de certificados digitais, a empresa, então, forneceria apenas o software de gerenciamento, e não o sistema.

Além disso, é bom ressaltar que um sistema também pode abranger recursos humanos, ou seja, pessoas que estão diretamente relacionadas à aplicação, como uma equipe de suporte residente.

Bom, agora fica fácil entender o motivo pelo qual o Windows ou o Linux são conhecidos como Sistemas Operacionais, não é? O Windows fornece uma gama de softwares (navegador de pastas, bloco de notas, calculadora, gravador de som…) e controladores de hardware (gerenciador de dispositivos de áudio, vídeo, mouse, teclado…), formando um sistema útil para várias finalidades operacionais.

Quando você acessa o Windows Explorer, por exemplo, o software se encarrega de exibir as unidades de disco disponíveis, bem como as unidades removíveis e as pastas da rede. Para obter essas informações, o Windows Explorer interage com os controladores de hardware do sistema.

Pense no software como um guitarrista. Sozinho, o músico apenas toca um instrumento, mas, em uma banda, que seria o sistema, ele interage com outros instrumentistas, produzindo músicas.

Mais um exemplo prático? Vamos nessa!

Imagine que o representante de uma empresa de desenvolvimento esteja vendendo um produto:

“Nós temos um software para gestão de atendimento ao consumidor que permite registrar reclamações, dúvidas e sugestões, além de disponibilizar uma tela para visualizar o histórico…”

Perfeito! Eis que ele complementa:

“… e também fornecemos um hardware que se comunica com os terminais telefônicos para registrar automaticamente as ligações recebidas.”

Opa… parou! Agora ele está apresentando uma solução mais ampla, ou seja, um sistema!

A partir do momento que algo é incorporado no software, seja um WebService, um módulo Mobile, um gerador de relatórios ou um token, a solução se transforma em um sistema.

Então é errado dizer que estou distribuindo um sistema quando, na realidade, só tenho um software?

Não. Se a sua solução consiste em apenas um software, não há objeções em representá-lo como um sistema. Porém, se você oferecesse vários aplicativos que trabalham em conjunto, então é errado defini-los meramente como um software.

Bom, leitores, espero ter esclarecido essa diferença!
Caso queiram complementar algo, deixem um comentário! Abraços!

Publicado originalmente em Blog André Celestino

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André Luis Celestino

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Desenvolvedor de software há 7 anos e autor do blog AndreCelestino.com. Graduado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Engenharia e Arquitetura de Software com ênfase em Desenvolvimento Ágil. Atualmente trabalha como Analista Implementador Delphi em Florianópolis.


14 Comentários

Dalva
1

Obrigada por mostrar a diferença entre sistema e software. Foi muito importante para o trabalho acadêmico que estou fazendo.

Bruna
7

Ótima explicação, estou cursando informática e seu artigo ajudou bastante nas minhas pesquisas, porém, eu não entendi direito este final sobre querer vender um Software e chama-lo de Sistema

André Luis Celestino Autor do Post
8

Olá, Bruna! Obrigado pelo comentário!

Em alguns casos, profissionais ou empresas fornecem apenas um software para comercialização, porém, anunciam o produto como “sistema”. A princípio não há nada de errado, mas, conforme dito no artigo, o termo “sistema” é mais abrangente, normalmente utilizado para soluções que envolvam módulos adicionais, como Hardware, Web ou Mobile.

André Luis Celestino Autor do Post
10

Olá, Letícia.

Desculpe-me pela demora para responder o comentário.
Bom, um website só pode ser considerado um software caso seja uma aplicação que processe dados. Por exemplo, aplicações Web, que acessam banco de dados e disponibilizam páginas para entrada de valores que serão processados, se encaixam como softwares.
Por outro lado, websites estáticos, como de notícias, não são softwares. Tratam-se apenas de portais de informação.

Espero ter respondido a sua dúvida!
Abraço!

sandro biagini
11

Boa tarde, parabéns pelo artigo.
Uma empresa que faz customização do SAP estaria elaborando programas de computador ou desenvolvendo sistemas?

André Luis Celestino Autor do Post
12

Olá, Sandro!
O SAP é um ERP integrado com ferramentas e serviços, portanto, pode considerado um sistema. Conheço pouco dele, mas sei que oferece um conjunto rico de recursos para gestão empresarial.

Abraço!

sergio ricardo nuevo da ora fernandes
13

Olá é excelente essa explicação sua mas gostaria que você tirasse uma duvida minha, estou fazendo um trabalho de tcc sobre sistema de gerenciamento de bibliotecas, mas porem não devenir ele com um software ou sistema ele ira funcionar pela web mas também poderá ter interface mobile,como devo trata-lo.Desde já agradeço pela ajuda e PARABÉNS PELA EXPLICAÇÃO.

André Luis Celestino Autor do Post
14

Olá, Sérgio, boa noite!
Já que a sua solução terá diferentes interfaces (web e mobile), podemos considerá-la como um sistema. Isso deve-se pelo fato de que você provavelmente usará duas formas diferentes de deploy da aplicação. Sendo assim, mesmo que compartilhem parte do mesmo código-fonte, são dois softwares diferentes, portanto, trata-se de um sistema.

Abraço!

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