A Cauda Longa e o Empreendedorismo na Internet

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Alterando um pouco o estilo de nossos artigos, hoje comentaremos sobre um livro que pode ser muito útil àqueles que desejam empreender usando a Internet.

Talvez tivesse você a esperança que um texto intitulado “A Cauda Longa” pretendesse oferecer a biografia da Valesca Popozuda, e, se esse for o caso, sinto decepcioná-lo.

Esse curioso nome é o título de um importante livro escrito por Chris Anderson, editor-chefe (igual a mim no Amplitudo, veja só…) da revista Wired, a respeito de como alguns negócios na Internet funcionam de forma muito diferente de todos os outros realizados pela humanidade desde sempre até… a chegada da Internet.

Imagem via Shutterstock

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Basicamente, estamos falando de escala e custos baixos e a leitura do presente artigo deve servir apenas para despertar leve ou profunda curiosidade em você, jamais pretendendo ser um substituto da leitura do livro em si, infinitamente mais repleto de informações.

Citemos, no entanto, alguns pontos muito interessantes.

Primeiramente, o mercado de internet ao qual Chris Anderson se refere está mais relacionado à produção de conteúdo (blogs, resenhas, artigos, música, filmes), cujo produto é algo eminentemente virtual (um arquivo PDF, HTML, MP3 ou AVI, por exemplo) do que à comercialização de produtos físicos, tangíveis, que não conseguem ser reduzidos a um monte de bits (uma televisão ou uma geladeira, por exemplo). Não que sites de e-commerce não possam ser bem-sucedidos com estes itens (veja o Submarino, por exemplo, como vende uma barbaridade); apenas não é disso que o livro trata.

– E do que ele trata, Álvaro?

Bem, vamos por tópicos aqui, que talvez fique mais fácil.

O QUE É A CAUDA LONGA?

A cauda longa é uma curva de distribuição em um gráfico onde a “cauda” é muito maior que a cabeça. Ou seja, os itens do início do eixo X (lembra da plano cartesiano da aula de geometria analítica, certo?) se apresentam com maior intensidade (músicas mais baixadas, por exemplo) porém, representando um número muito pequeno em relação ao restante (a infinidade de músicas que são menos ou pouquíssimo baixadas), sendo esse restante a agora tão famosa Cauda Longa.

POR QUE ISSO ESTÁ ACONTECENDO?

Descobriu-se que, quando os custos caem (devido a computadores baratos, softwares livres, templates etc.) e as distâncias se encurtam (devido à Internet como um todo), há espaço para todo mundo. Mesmo os “habitantes da cauda” com seus hits não famosos conseguem alguma audiência porque (1) não custa praticamente nada para eles produzirem e (2) não custa praticamente nada para os seus poucos fãs consumirem o produto.

Em termos técnicos – extraídos do próprio livro – estamos falando sobre a democratização da produção e a democratização da distribuição.

EXEMPLOS?

Claro. Manterei o assunto na música para seguir a nossa linha, mas você pode pensar na produção de qualquer conteúdo.

Antigamente, para oferecer sua música às pessoas, você precisava de dinheiro para muitos equipamentos, locação de estúdio profissional, prensagem de CD, designer para logos, confecção do material promocional… A democratização da produção é o seguinte: hoje você só precisa de um computador. E todo mundo pode ter um computador.

Também antigamente, para fazer sua música chegar até as pessoas, você precisava custear a caríssima distribuição para lojas, fora o lobby para conseguir espaço na prateleira. E as pessoas, para obterem sua música, precisavam ir até as lojas e desembolsar uma grana pelo seu CD, onde estariam embutidos diversos impostos. A democratização da distribuição é o seguinte: hoje vocês (você e seu fã) só precisam da Internet. E todo mundo pode ter Internet (gratuita, inclusive, em muitos lugares).

Uma prova viva do que estamos falando: o cara que fez uma versão samba da música do Game of Thrones.

Outra prova? A qualidade musical de nível internacional dos Raccoonies (seguem aqui site, Youtube e Facebook para você curtir).

E QUE DIFERENÇA FAZ?

De fato, essa não é a solução para ninguém ficar rico produzindo músicas que podem ser ouvidas somente por três ou quatro pessoas, mas tem uma galera que fica muito rica com tudo isso: os agregadores.

Veja, por exemplo, a iTunes que, ao morder um pedacinho pequeno de um zilhão de músicas presentes na Cauda Longa, está muito feliz com a receita daí advinda pois, dessa forma, não depende mais – como as gravadoras dependiam – do sucesso arrasador de um único hit ou de um único artista para faturar milhões.

Como há escala na produção (muitos artistas), há muitas músicas disponíveis. E como há todo o tipo de gosto, essas músicas, de uma forma ou de outra, são consumidas. Não importa que não sejam todas de um artista só pois, reunidas, é como se fossem um novo Thriller. E o dinheiro vem do mesmo jeito, se não melhor, por não haver concentração e o risco que essa concentração acarreta.

MAS E A QUALIDADE?

Sim, definitivamente, essa é uma questão importante. Quando se publica um livro em uma editora não virtual, ou quando se produz uma música em uma gravadora profissional, sua obra já passou pela imensa barreira representada pelo “não” dessas instituições. E se passou, é porque deve prestar. Embora seja difícil conseguir um sim, consegui-lo é quase uma garantia que o material ofertado será de boa qualidade. Eu disse quase.

Mas vejamos o lado positivo da Cauda Longa: algumas coisas realmente boas (os Raccoonies, por exemplo) poderiam nunca chegar até você se dependessem do método convencional de antigamente. Pense comigo: a abundância pode gerar disponibilidade de material impreciso, e mesmo incorreto, mas o consumidor da Internet está (ou deveria estar) acostumado com isso. A Wikipedia, por exemplo, fornece tanta informação sobre tanta coisa que, se não dá para você ter certeza de estar tudo correto, ao menos é um excelente começo para as suas pesquisas, visto que pode despertar em você o interesse – além de enchê-lo de links – para buscar material de maior profundidade sobre este ou aquele tema em fontes que possam lhe inspirar maior confiança.

E sobre confiança… Ah, isso sim é o futuro da Internet. Mas também é o tema de nosso próximo artigo, continuação/conclusão desse.

Vá pensando nisso.

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