Como criar um manual de ética e bom uso da Internet no trabalho

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Como evitar que a Internet prejudique a produtividade dos colaboradores e das equipes sem ter que privá-los do acesso ao universo digital, tão importante para acompanhar novidades, inovações e fazer contatos? Esse é um dilema que a maioria das organizações e gestores de equipes e TI enfrentam atualmente.

Estudos e pesquisas apontam que os colaboradores gastam, em média, 30% do tempo de navegação em sites sem qualquer relação com a atividade profissional. Além de representar prejuízo financeiro direto para a empresa, pelo desperdício de tempo e uso de recursos de tecnologia e Internet, a banda consumida pode comprometer a velocidade da Internet e atividades do restante da equipe, o que acaba resultando em um duplo prejuízo para o empregador.

Imagem via Shutterstock

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Mas como lidar com a situação? Impedir a navegação na Internet não é uma prática recomendada, pois é praticamente impossível uma empresa e seus colaboradores ficarem desconectados. Por outro lado, liberar indiscriminadamente o acesso a qualquer site ou serviço online, pode trazer riscos, gerar problemas ou comprometer o desempenho da equipe e da segurança de informações da empresa.

Portanto, uma boa alternativa está na elaboração de regras de uso da Internet na empresa, através de um manual ou cartilha. Esse documento irá ajudar a adequar comportamentos, práticas e ações de todos os colaboradores, resguardando a companhia contra possíveis contratempos.

O grande desafio, porém, é encontrar o ponto de equilíbrio entre a defesa dos interesses da empresa e o respeito à privacidade dos colaboradores. Para evitar que ocorram abusos de ambas as partes, o ideal é que o manual seja elaborado por uma comissão com representantes das diversas áreas da companhia. Assim, a empresa terá um documento de autoria coletiva e com a participação dos próprios usuários da Internet.

O trabalho de elaboração e aplicação do manual deve ser realizado em etapas, que podem ser:

Etapa 1: Definição da equipe/comissão responsável

A participação deve ser estimulada pela direção da empresa, com o envio de sugestões e necessidades por parte dos colaboradores de todas as áreas e setores. Os responsáveis devem ser de diferentes áreas da empresa, sendo indispensável a participação dos gestores do setor de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação.

Etapa 2: Definição de regras e politica de acesso

Os responsáveis pela elaboração do manual, seguindo as orientações do gestor de RH e TI, devem definir quais serão as regras de acesso à Internet, quais os tipos de conteúdos e sites podem ser acessados e quais estarão bloqueados. A sugestão é manter o equilíbrio e flexibilidade, entre as necessidades da empresa e dos colaboradores. Por exemplo, definir horários para acesso a determinados sites, como redes sociais, comunicadores instantâneos e e-mail pessoal, também é recomendado a criação de grupos de usuários, com regras de acordo com suas necessidades e perfil de atividades. Por exemplo, os setores de imprensa, comunicação e marketing podem ter acesso mais amplo às redes sociais e o setor administrativo a conteúdos técnicos sobre a área de contabilidade e administração.

Etapa 3: Elaboração do manual

O documento deve apresentar, de forma explicativa e clara, os seguintes pontos:

  • usos permitidos para a internet e o e-mail corporativo;
  • práticas proibidas e regras de acesso, detalhando o que não pode ser acessado;
  • alerta para a possibilidade de monitoramento da navegação do colaborador;
  • formas adequadas para mencionar a empresa nas redes sociais e sites;
  • direitos dos colaboradores no que se refere à privacidade;
  • sanções e penalidades para quem descumprir as regras estabelecidas no manual;
  • tipos de dispositivos que podem ser utilizados nos computadores da empresa, como smartphones, fones de ouvido e pendrive;
  • tipo de conteúdo que pode ser salvo nos computadores da empresa.

Etapa 4: Elaboração de documento com política de uso da tecnologia da empresa

Ao implementar um política de gerenciamento de acesso a internet e de uso dos recursos de tecnologia, é necessário que a empresa formalize esse procedimento e informe os colaboradores. Para isso, é importante a criação de um documento que detalhe as regras e condições de uso da internet e equipamentos de tecnologia, informe as penalidades no caso de descumprimento das regras e formalize o conhecimento do profissional em relação à política da empresa. Você pode utilizar na sua empresa esse modelo de documento de política de uso da internet para empresas.

É importante que os colaboradores assinem esse documento comprovando sua ciência, resguardando assim a empresa no caso de alguma argumentação quanto a invasão de privacidade.

Etapa 5: Definição de ferramenta para controle e monitoramento

Para que a política de bom uso da Internet seja implementada e funcione corretamente, é imprescindível utilizar algum serviço para o controle e monitoramento do acesso à Internet. Através dessa ferramenta devem ser implementadas as regras de acesso definidas no manual e também é possível fazer o monitoramento da navegação dos colaboradores. Através de relatórios e gráficos de acesso e navegação pode-se verificar se as regras estão sendo seguidas pelos colaboradores e utilizar essas informações para comprovar o uso indevido e justificar as sanções e penalidades previstas no manual.

Há inúmeras alternativas de ferramentas e serviços para o gerenciamento do acesso a Internet, desde servidores locais com Linux e serviços de Proxy/Firewall, soluções personalizadas como Dell SonicWall, Fortinet Fortigate e vários outros, programas de controle a serem instalados nos computadores, até soluções mais modernas baseadas em nuvem como Open DNS e Lumiun Tecnologia.

Etapa 6: Divulgação do manual

Todos os colaboradores devem receber uma cópia do manual. Se possível, a empresa deve organizar uma atividade na qual o documento será apresentado, definindo a data de entrada em vigor da política descrita no manual. Esse momento pode ser o início da campanha de conscientização sobre o uso responsável da Internet no ambiente corporativo. A companhia criará as condições para que o manual esteja disponível a qualquer momento via internet, em murais ou no setor de Recursos Humanos.

Etapa 7: Orientação e treinamento

O documento com a política de uso da Internet deve integrar o material recebido por todos os novos colaboradores, junto das devidas orientações quanto as condições e regras de uso da internet e recursos de tecnologia na empresa. Cabe ao setor de Recursos Humanos destacar a importância do cumprimento das normas estabelecidas no manual.

A aplicação do manual deve ser alvo de campanhas permanentes por parte da empresa. O setor de RH tem papel fundamental na disseminação da cultura de uso responsável dos recursos de tecnologia da empresa, não apenas da Internet. Temas como download de material pirateado (CDs, DVDs, games e softwares), disseminação de material pornográfico ou crimes relacionados ao ambiente digital devem fazer parte de seminários, cursos e atividades de treinamento para os colaboradores.

Etapa 8: Sanções e penalidades

O objetivo da implantação de uma política de bom uso da Internet não deve ser punir os colaboradores, mas criar a cultura de utilização responsável da tecnologia. Por isso, não é aconselhável aplicar as sanções abruptamente. Durante um período de adaptação, é recomendado informar os colaboradores caso não estejam cumprindo as regras previstas no manual. Se a prática de mau uso se mostrar recorrente, a empresa deve então aplicar as sanções e penalidades previstas.

Empresa e colaboradores têm responsabilidades e direitos quando o assunto é a utilização da internet e da tecnologia. Esclarecer os papéis de cada um e promover o bom uso da tecnologia gera benefícios a todas as partes. A elaboração adequada de uma política de uso da Internet e um manual para sua documentação deve ter como finalidade a formação de uma cultura corporativa, no sentido de beneficiar todos envolvidos, os colaboradores se tornando mais produtivos e a empresa melhorando seus resultados.

Se você tem alguma experiência semelhante na sua empresa, compartilhe conosco nos comentários!

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Cledison Fritzen

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Formado em Sistemas de Informação, com experiência em desenvolvimento de sistemas e gestão de TI. MBA em Marketing e Vendas pela FGV e diretor de marketing e vendas no Lumiun Tecnologia.


6 Comentários

Guilherme
2

Olá, boa tarde!

Sou responsável pela Infraestrutura de TI na empresa onde atuo, e a uns meses atrás percebi alguns funcionários fazendo uso indevido da internet e instalando softwares sem autorização. Foi ai que percebi que algo deveria ser feito e juntamente com o RH e Gestores implementamos uma PSI Interna(Politica de Segurança da Informação). Fizemos palestra e criamos um documento para ser assinado por todos os funcionários, foi um sucesso e funciona muito bem, ou seja, desde então não tivemos mais problemas.

Muito bom o artigo, belas dicas!
Obrigado.

Wolas Almeida Matos
3

Estou acompanhando um processo de implantação de uma ferramenta de Filtro de Conteúdo, e sem dúvida o processo citado acima é importantíssimo para não gerar atrito entre a Diretoria/Gerência e os colaboradores.

Parabéns pelo artigo!

Marco Lemanovo
4

Bom artigo. No entanto cai em problemas jurídicos se fizer da forma mostrada. Recomendar um manual e “distribuir” não tem peso jurídico como obrigar cada usuário ou os Key users a assinarem esse documento. Treinamento de conscientização ajuda e funciona, mas não dá subsídios para aplicar penalidades. Cuidado, pois mesmo o meio de acesso ser empresarial se tudo não estiver muito bem “amarrado” a empresa de vítima passa a réu. Há jurisprudência com citações e decisões do STF onde por falta de documentos comprobatórios de aceitação dessa “nova politica” a empresa perde o direito de mandar embora, suspender etc.
Claro que esses são casos extremos, mas facilmente possíveis de ocorrer. Portanto o artigo acima está correto, somente ressaltaria o detalhe da preocupação de tornar essa política visível e de alguma forma aceitável em toda corporação. A analogia é a mesma para uso do email.
De qualquer maneira Parabéns!

Cledison FritzenCledison Fritzen Autor do Post
5

Marco,

Muito importante suas colocações, junto das orientações de uso da internet, é necessário a empresa se resguardar juridicamente e comprovar a ciência dos colaboradores sobre a política de uso da internet. Isso pode ser feito através de um documento assinado pelo colaborador, onde estão descritas as regras e penalidades no caso de não cumprimento.

Nesse link é possível baixar um modelo de documento sobre política de uso da internet nas empresas http://www.lumiun.com/materiais/modelo-documento-uso-internet.

Abraço!

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