Workaholic: prazer ou angústia?

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Acredito que o Brasil vive um momento delicado em vários aspectos (política, economia, infraestrutura e etc.), momento esse em que o desemprego vem atingindo patamares assustadores, empresas cortando custos e buscando alternativas para se manterem vivas em um sistema tributário cruel que tende a onerar cada vez mais o empresário brasileiro. Como o mercado de trabalho está vez mais acirrado, as empresas buscam por profissionais que sejam multitarefas, ou seja, que possam executar diversas atividades em paralelo e sejam capazes de entregar todas com uma boa qualidade.

Imagem via Shutterstock

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Em um relatório da Harvard Business, conduzido pelo Instituto de Psiquiatria da mesma, contesta a tese de que, quanto “mais multitarefa, mais produtividade”.

Foi constatado que a mudança frequente de atividades reduz a produtividade em até 40% e o QI em 10 pontos. No entanto, esse tipo de perfil é muito fomentado pelo mercado de trabalho hoje em dia, disseminado como ideal por gestores em geral, pois há uma falsa ideia que o profissional multitarefa é mais capacitado e preparado para lidar com situações do dia a dia. E alguns desses profissionais, com o dia a dia atribulado e com a carga de trabalho cada vez maior, tendem, com o passar do tempo, a trilhar um caminho perigoso, desenvolvendo uma característica muito singular, se tornando “Workaholic”. No bom português, é o trabalhador compulsivo.

Steve Jobs era assumidamente “Workaholic”. A história por trás do homem da maçã ficou amplamente conhecida por meio de livros e filmes que tentaram descrever suas habilidades, ideias, sucessos e fracassos. Seus esforços em desenvolver algo revolucionário na época, levaram-o a trabalhar incansavelmente em seus projetos, muitas vezes em uma linha tênue entre loucura e genialidade. Com pouco apego a relacionamentos interpessoais e focado exclusivamente em seu mundo de criações e ideias visionárias, Steve Jobs tinha qualidades excepcionais e defeitos abomináveis.

A existência desse tipo de comportamento geralmente é motivada pela alta competitividade no ramo que o profissional atua ou até mesmo por uma necessidade pessoal de provar a si mesmo ou a alguém o seu valor. O reflexo disso, é uma vida pouco saudável, pois pessoas com essa caraterística não conseguem se desligar do trabalho, mesmo estando fora dele. Com isso, a vida pessoal tende a ficar abalada, uma vez que o trabalho está sempre em primeiro plano e não há muito espaço para outras atividades. Não é raro os casos em que esses profissionais desenvolvem distúrbios relacionados a qualidade de vida ruim. Disfunções do sono, surtos de agressividade e até depressão, são os mais comuns.

Logo, quanto mais responsabilidades você tem, mais organizado precisar ser. 

Tentar fazer tudo ao mesmo tempo é exatamente o oposto da organização e eficiência. Claro, que toda regra tem sua exceção, existe uma minoria que se auto intitula “Workaholic” e acredita que a felicidade está amplamente ligada ao trabalho. Contudo, assim como você, caro leitor, eu trabalho com a intenção de buscar uma qualidade de vida melhor, todavia, trabalhar exaustivamente sem tempo para família, amigos e atividades de lazer, não é benéfico para nenhum profissional.

Portanto, não seja escravo do seu trabalho nem trabalhe pensando exclusivamente no dia do pagamento, a vida é mais do que isso, ela precisa ser vivida.

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Carlos Henrique Tres

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Professor, gestor em TI,trabalho na área de tecnologia há mais de 10 anos, em empresas de médio e grande porte de segmentos diversos.Focado em resultados, gerenciando por competências e desenvolvendo equipes de alto desempenho.Certificado nas boas práticas,gestão sustentável e segurança da informação.


1 Comentários

Saulo
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Muitas pessoas procuram viver PARA o trabalho e não DO trabalho. Realmente, temos que pensar e refletir bastante sobre isso. Muito bom, o seu artigo!

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