Hora de revisar os três pilares dos métodos ágeis

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Olá amigos,

Temos um mantra no mundo Agile que é o foco em seus três pilares: Transparência, Inspeção e Adaptação.

De acordo com o Scrum Guide:

Transparência

Aspectos significativos do processo devem estar visíveis aos responsáveis pelos resultados. Esta transparência requer aspectos definidos por um padrão comum para que os observadores compartilharem um mesmo entendimento do que está sendo visto.

Por exemplo:

  • Uma linguagem comum referindo-se ao processo deve ser compartilhada por todos os participantes;
  • Uma definição comum de “Pronto” deve ser compartilhada por aqueles que realizam o trabalho e por aqueles que aceitam o resultado do trabalho.

Inspeção

Os usuários Scrum devem, frequentemente, inspecionar os artefatos Scrum e o progresso em direção a detectar variações. Esta inspeção não deve, no entanto, ser tão frequente que atrapalhe a própria execução das tarefas. As inspeções são mais benéficas quando realizadas de forma diligente por inspetores especializados no trabalho a se verificar.

Adaptação

Se um inspetor determina que um ou mais aspectos de um processo desviou para fora dos limites aceitáveis, e que o produto resultado será inaceitável, o processo ou o material sendo produzido deve ser ajustado.O ajuste deve ser realizado o mais breve possível para minimizar mais desvios.

Andei refletindo muito nos últimos anos, e vejo muitas pessoas, equipes e empresas se esquecendo de outros três pilares tão, ou talvez mais importantes que os três pilares mencionados acima.

São eles:

  • Lean
  • Melhoria Contínua (PDCA)
  • Engajamento

Na minha visão não existe método ágil sem estes três pilares. Vamos ver um pouco mais sobre cada pilar abaixo.

Lean

Não há método ágil se não temos a filosofia Lean enraizada em nossas veias, focando em seus 7 princípios:

  • Eliminar desperdício: identificando e otimizando processos, artefatos, meios de comunicação e comportamentos que tornam o processo mais moroso, burocrático e custoso (costumar este último de “inimigo oculto” e “custo fantasma”, pois não é percebido e muito menos medido) e menos direto, objetivo e “enxuto” como prega a filosofia
  • Ampliar conhecimento: compartilhando e gerando conhecimento entre as equipes de trabalho
  • Entregas rápidas: quanto menor o fluxo de trabalho, maior a capacidade de entrega e melhor qualidade e resultado é entregue
  • Adiar decisões: baseie suas decisões no processo de aprendizado (empírico) e não na famosa “bola de cristal” (preditivo)
  • Construir qualidade: foco na excelência técnica e simplicidade sempre!
  • Fortalecer as equipes: parafraseando o Manifesto Ágil: “Construa projetos ao redor de indivíduos motivados. Dando a eles o ambiente e suporte necessário, e confiar que farão seu trabalho.”
  • Otimizar o todo: foco no conjunto e não no individual. Evitar o famoso: “a minha parte está feita, agora depende de Fulano”

Vejo muitas pessoas e empresas tomando a liberdade de usar o termo “Modelo Híbrido” para justificarem o uso de processos e comportamentos burocráticos e ineficientes, usando uma ou outra prática ágil. Costumo dizer que é um modelo mais caro, inclusive, pois além de ter o custo da burocracia e ineficiência (o “inimigo oculto” mencionado anteriormente) possui um gasto a mais com post-its e quadros brancos.

Um verdadeiro e eficiente modelo híbrido combina técnicas ágeis e tradicionais, mas jamais deve perder seu foco no Lean, buscando eliminar toda e qualquer forma de desperdício”.

Melhoria Contínua

Uma maneira didática que uso para explicar quando me fazem a seguinte pergunta:

“Vitor, o que é esse tal de gerenciamento ágil?”

Costumo responder o seguinte:

“Pega aquele seu projetão de 1 ano e meio e quebra ele em pequenos ciclos PDCA”

Ou seja, de tempos em tempos (no máximo 30 dias, de acordo com as “regras” do método) revise produto, processo e pessoas e aprenda com isso! Erre rápido, aprenda rápido e melhore rápido!

“Ah, mas isso que você está falando são as famosas lições aprendidas. Já fazemos isso ao final de cada projeto”.

Não! Não faça isso só ao final de cada projeto. Faça isso em ciclos curtos! As lições serão aprendidas rapidamente e o plano de ação de melhorias já implementado no projeto em curso.

Muitas empresas possuem dificuldade em entender que o método ágil não é milagroso e existe uma curva de aprendizado das equipes (em média de 3 a 4 iterações) e acabam abrindo mão da melhoria contínua e incentivando o bom e e velho “go horse”, “abaixe a cabeça e vamos que vamos”!

Engajamento

Os métodos ágeis são muito focados em pessoas. E pessoas são extraordinariamente complexas.

Se não temos pessoas engajadas e dispostas a aprender, assumirem suas forças e fraquezas, buscarem por melhoria continua e a saírem do status-quo, não há método ágil que resista

Na minha visão, somente depois destes três pilares bem resolvidos é que partimos para os outros três mais falados: transparência, inspeção e adaptação. Na verdade, eles acabam sendo consequência!

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Vitor Massari

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Profissional com mais de 15 anos de experiência em projetos de software. Sócio-proprietário da Hiflex Consultoria, profissional PMP e agilista, acredita no equilíbrio entre as várias metodologias e frameworks voltados para gerenciamento de projetos.
Lema: "Agilista convicto sempre, agilista obcecado jamais"


2 Comentários

Vitor MassariVitor Massari Autor do Post
2

Olá Leonardo!

Eu não postei nada ainda sobre este assunto, mas você pode procurar sobre o assunto OKRs que tem sido bastante utilizada como avaliação de desempenho dentro do mundo Agile!

Grande abraço,
Vitor Massari

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