Cloud: Velhos Riscos Desaparecem, Novos Surgem

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A contratação de serviços na nuvem guarda semelhanças e dessemelhanças com a contratação “tradicional” de serviços de IT Outsourcing. Dentre as semelhanças, podemos destacar a relevância relacionada à importância da gestão de riscos em cada fase do processo, a saber:

  1. Identificação e priorização dos business drivers aplicáveis
  2. Definição da estratégia de sourcing da organização
  3. Seleção do(s) provedor(es)
  4. Negociação dos termos e condições contratuais
  5. Transição dos serviços
  6. Governança do contrato

Como se sabe, a gestão de riscos em cada uma dessas fases evita que sua materialização comprometa os benefícios potenciais que atenderão aos business drivers motivadores da decisão.

Dentre os business drivers típicos, não mutuamente exclusivos, podem ser apontados:

  • Pressão de custo
  • Obtenção ou recuperação ágil de vantagem competitiva
  • Foco no core business
  • Penetração em novos mercados, tanto do ponto de vista geográfico quanto sócio-econômico da carteira potencial de clientes
  • Aceleração do time-to-market

Dentre as possibilidades abrangentes, relacionadas à estratégia de sourcing da organização contratante, podemos identificar:

  • IT Outsourcing (ITO)
  • Business Process Outsourcing (BPO)
  • Cloud Computing

Deve ser ressaltado que a estratégia de sourcing da organização não necessariamente optará por apenas uma das alternativas acima. Dentre outros, os fatores abaixo deverão ser considerados para a definição da(s) estratégia(s) corporativa(s) de sourcing mais adequada(s), sendo possível, no caso mais geral, adotar-se qualquer combinação das 3 alternativas:

  • O porte da organização
  • A complexidade de seu ambiente de TI
  • Os business drivers definidos e sua priorização
  • Os prazos pretendidos para consecução dos benefícios almejados
  • O gráu de acirramento do ambiente concorrencial por ela enfrentado no segmento vertical de indústria a que pertence
  • A cultura e sua pré-disposição ao enfrentamento de riscos

A estratégia de sourcing será então definida avaliando-se, para cada parcela existente (ou planejada) do escopo de TI qual a alternativa preferencialmente aplicável. Além disso, fará também parte da estratégia a definição do ritmo e da progressão das etapas de sua implantação.

Deve ser lembrado que uma gestão inadequada dos riscos em qualquer das 6 fases enumeradas inicialmente aumenta de forma progressivamente exponencial a probabilidade de insucesso na obtenção  dos benefícios finais pretendidos. Isto se deve ao fato de que sua não eliminação, ou ao menos a mitigação de seus impactos ou de sua probabilidade de ocorrência, tende a gerar riscos secundários interdependentes em pelo menos uma das fases seguintes, tornando seu tratamento posterior muito mais complexo e custoso.

Em posts futuros, discutiremos as dessemelhanças existentes entre os riscos associados às fases de seleção do(s) provedor(es), de negociação dos termos e condições contratuais, de transição dos serviços e de governança do contrato para cada uma das alternativas de sourcing existentes, incluindo a computação em nuvem, a que mais recentemente chegou ao mercado e que, por isso, ainda carece de um maior grau de maturidade do mercado, tanto para provedores quanto (principalmente) para compradores.

Nessa futura discussão, conforme brevemente antecipado no título deste post, demonstraremos que os riscos a serem considerados abrangerão três categorias:

  • Riscos já existentes para as alternativas ITO e BPO e que se mantêm na alternativa Cloud, embora com diferentes características
  • Riscos existentes para as alternativas ITO e BPO e que são eliminados na alternativa Cloud
  • Riscos inexistentes para as alternativas ITO e BPO e que passam a existir na alternativa Cloud

A percepção exposta neste artigo coincide com a visão do leitor? Contribua com seus comentários. 

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Alfredo Saad

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Graduado em Engenharia Eletrônica pela Escola de Engenharia da UFRJ. Mestre em Ciências de Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica-RJ. Proferiu mais de uma centena de palestras e seminários no Brasil e no exterior (USA, França, Portugal, Chile, Argentina e Uruguai).
Atuou na área de Performance & Capacity Planning (P&CP) de Sistemas de Computação (1975-1997) tendo publicado 3 livros na área, todos premiados em concursos nacionais de monografias. Foi responsável pela implantação/gestão da área de P&CP na TELERJ e VARIG.
Certificado PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute) em 2005 (re-certificações em 2009, 2012 e 2015) e como IBM Project Executive em 2009. Membro eleito do Technology Leadership Council da IBM Brasil em 2013.
Professor Visitante da UniverCidade, responsável pela cadeira de Performance de Sistemas no curso de pós-graduação Suporte Tecnológico para Mainframes (2009-2011).
Atua na área de Outsourcing Estratégico de Serviços de TI desde 1997, tendo sido responsável, como Gerente de Tecnologia de TI da VARIG, pela negociação/gestão do contrato de Outsourcing assinado com a IBM (1997-2004).
Publicou em 2006 o livro Terceirização de Serviços de TI pela Editora Brasport.
Responsável (2005-2009), pela gestão, na América do Sul, do contrato global de Outsourcing de TI que a IBM mantém com a Michelin.
Risk Management Officer de todos os contratos de Outsourcing da IBM Brasil (2009-2014).
Desde 2014 atua como consultor e palestrante na área de IT Ousourcing em sua empresa Saad Consulting


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