Produtos ou Projetos? Qual o futuro?

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Saber trabalhar em times, com pessoas diferentes, métodos de trabalhos diferentes, conceitos diferentes e conseguir organizar as atividades dentro desse mundo pode ser uma tarefa bem complicada. Claramente, vemos uma mudança de estrutura nas empresas, com o empoderamento dos colaboradores, ao invés da centralização de informações. Acredito que vamos ver isso acontecer nas empresas cada vez com mais freqüência. Quando os colaboradores se sentem parte da empresa, com decisões que influenciam no andamento do desenvolvimento de um novo produto, por exemplo, se sentem muito mais motivados e empolgados. Essa á a forma mais fácil e correta de desenvolvermos um produto, certo? Então porque ainda existe tanta resistência em implantar esses novos métodos? Produtos ou Projetos? Qual o futuro?

Porque esse tema?

Antes de tentar explicar esse ponto e dar minha opinião (porque obviamente não tenho todas as respostas), vou explicar por que escolhi esse tema. 

Sempre trabalhei com desenvolvimento de projetos e sempre vi isso como uma ótima escolha. Não é que agora isso se tornou ruim, mas temos um GAP muito grande nesse ponto. Quando desenvolvemos projetos e eles acabam, onde fica tudo o que aprendemos? Para onde vai o ponto mais importante disso, o negócio? Vamos usar isso em outro projeto ou isso vai se perder com o tempo, como normalmente acontece?

Por isso a mudança de abordagem de projeto para produto.

Claro que um produto também tem uma vida útil, mas ele pode ser reestruturado e, as vezes, reinventado. Dessa forma, a parte importante do produto, o seu negócio principal, ainda está lá.

Onde isso acontece?

Empresas de TI – que fazem o serviço

Acredito que esse modelo de empresa é o mais afetado por essa mudança. Antigamente, fazer projetos de tecnologia era um grande negócio! As empresas necessitavam de tecnologia para fazer os seus projetos e a saída era contratar uma consultoria para definir todo esse processo ou, as vezes, partir para a alocação temporária de recursos. 

O problema, nesse caso, é que os projetos estão cada vez mais rápidos de serem feitos e cada vez menos a tecnologia importa. Ela é apenas um meio, e não um fim.

As consultorias tem um dilema pela frente: continuar apostando em projetos ou desenvolver seus próprios produtos?

Com o desenvolvimento de novos produtos, utilizando um know-how conseguido durante os anos e anos de projetos, com certeza podemos ter ótimos produtos! Produtos com uma vida longa, uma possibilidade de continuidade de trabalho e processos mais estruturados.

Empresas contratantes – que usam o serviço prestado por TI

Essas empresas já estavam com modelos diferentes de processos, pois não tinham conhecimento da tecnologia e acabavam precisando de consultorias ou empresas especializadas em tecnologia. Só que com o avanço que tivemos nos últimos anos, tudo está ficando mais fácil. 

Quer um site para vender o seu produto? Tem uma tonelada deles prontos por aí. Bonitos, fáceis de usar, com integração com sistemas de pagamento. Para que fazer um projeto se já está tudo pronto? Ahhh, mas eu preciso de uma coisa parruda para importação de arquivos, por exemplo. Procure soluções prontas! Tem centenas de soluções simples, baratas e rápidas para implantar. 

Mais uma vez, a tecnologia é um meio, e não um fim.

Você acha que alguém está se importando se um site é feito em PHP, .Net, Java ou outra tecnologia? Isso não importa mais. É rápido? Funciona? É bem feito? Então está ótimo!

Bancos – o ponto fora da curva

Sempre separo os bancos de outras empresas. Tem grandes estruturas, sistemas antigos de processamento e novas tecnologias, tudo em um mesmo lugar. O desenvolvimento de produtos com esses itens sempre é um desafio. 

Vocês estão acompanhando os bancos e vendo como eles estão mudando? O negócio de apenas guardar dinheiro já não funciona mais. Isso continua sendo o fim do negócio, mas não é mais o seu foco principal. O cliente mudou, consequentemente o produto do banco também tem que mudar. Os clientes estão mais exigentes, solicitando novos serviços cada vez mais pessoais. Isso é muito bom para o desenvolvimento do negócio. Os bancos estão olhando várias áreas para se reinventar. Blockchain e Machine Learning já são realidade nesse mundo. Aplicativos com menos “cara de intranet” também.

Alguns bancos já estão até abrindo as suas portas para outros serviços e outros aplicativos, tornando públicas as suas APIs.

Que revolução para um sistema que era tão travado, certo?

A área de produtos ainda existe sozinha?

A alguns anos atrás, empresas de ponta e/ou de tecnologia tinham áreas de desenvolvimento de produtos, de novos produtos e até de pesquisa e desenvolvimento. Acredito que essas áreas continuarão existindo, mas com um foco muito diferente. Foco em integração entre as áreas, de mostrar essa tecnologia para a empresa, de mostrar os melhores processos para desenvolvimento de produtos, entre outros. É o Design Thinking, uma nova forma de interagir com os processos (isso é artigo para outro post). Dessa forma, toda a empresa tem que se reinventar, não apenas uma área. Essa é a melhor forma para conseguir melhorar a empresa, com toda certeza!

Resultados dessa mudança

O principal resultado dessa mudança pode ser visto nos colaboradores. Muito mais motivados, porque entendem que esse produto ou novo produto é o seu foco e que suas sugestões são levadas em consideração. Sentem que esse produto também é um pouco seu. E isso é ótimo. Para a empresa, é como se ela tivesse vários gerentes de produtos. Com isso, é claro, o produto tende a ser melhor. Várias pessoas pensando junto, com um mesmo objetivo. É o empoderamento do colaborador, que eu tinha mencionado no começo do artigo. Se sentir parte do produto é ótimo para todos!

Mas e o risco?

Claro que nem tudo é perfeito! Tem um risco que deve ser mitigado nesse desenvolvimento do produto. Com o empoderamento dos colaboradores, tem uma coisa que pode ser perdida: o foco. Claro que ideias são bem vindas, mas tem que ter um limite e todos tem que entender que nem todas as ideias poderão ser aceitas e feitas. Lógico que sempre precisamos evoluir o produto, mas tem que ter limites e ver onde isso vai dar. Todas as vezes, temos prazos de entrega e as algumas customizações são necessárias para fechar uma venda. Perder o foco nesse ponto pode ser um problema. As vezes, um problemão!

Fechando o assunto…

Acredito que são muito mais pontos positivos do que negativos com essa mudança. Mais motivação para trabalhar, mais entendimento do negócio e empoderamento dos colaboradores. Essa é a parte positiva desse processo. E não é pouca coisa!

O ponto negativo pode ser a perda do foco. Claro que pode ser que isso não aconteça, mas é sempre um risco!

Mas os pontos positivos são muito maiores que os negativos, certo?

E então, pronto para essa mudança?

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Leandro Liez

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A minha experiência como executivo de TI mostrou-me que o foco do desenvolvimento das equipes não está nas qualidades técnicas, e sim nas qualidades individuais de cada um.
Também sou apaixonado por novas tecnologias (como BlockChain, Machine Learning, IOT e Inteligência Artificial) e estou sempre pronto para aprender e ensinar coisas novas.
O relacionamento com o cliente sempre fez parte do meu dia a dia: monitorando, gerenciando e controlando o escopo do produto/projeto e agregando valor as soluções apresentadas.
Durante toda minha carreira, adquiri conhecimentos técnicos específicos, muito úteis para abordagens técnicas com a estrutura organizacional.


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