Fazer algo que não existe é sempre a melhor solução?

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Análise do “superônibus” chinês e a gestão de projetos.

Sim, os grandes projetos falham. Sim, nem sempre aquilo que parece mais inovador é a melhor solução. Queria comentar e debater com os leitores sobre o projeto chinês do “superônibus”.

Bom, como muitas pessoas sabem a cerca de um ano uma plataforma digital chinesa lançou o projeto de construção de um superônibus capaz de trafegar acima dos carros e transportar uma imensa quantidade de passageiros.

super onibus chines

Lembro bem que muitas (muitas mesmo) pessoas elogiaram bastante e disseram frases do tipo: “aí sim é tecnologia”, “esses chineses são bons mesmo”, “só podia ser coisa de asiático”, “no Brasil não tem isso”, “acorda Brasil”. Pois é, mas, infelizmente, acabou acontecendo o que acontece de forma bastante parecida ao nosso Brasil: fraudes financeiras e diversos erros na gestão de projetos.

Primeiro Ponto – Problemas financeiros: Como em todo lugar no planeta, para se executar grandes projetos é necessário orçamento. Nesse projeto foram buscados uma série de investidores, com a promessa de desenvolvimento de um projeto inovador e com grande visibilidade. De fato, trabalhar com inovação é algo extremamente atrativo, desde que seja realizado um trabalho sério e com competência para tirar do papel e colocar em prática. Pelo visto, parece que não foi bem assim.

Segundo ponto – Falhas na Gestão de Projetos: Aqui as indefinições ou os erros são imensos. Vou pontuá-los para que se possa ter uma noção da intensidade desses problemas.

  • Imagine só… você tem um veículo SUV (ou qualquer outro modelo que possua mais altura) e simplesmente não pode trafegar nas ruas em que esses superônibus trafegam, pois a sua altura é maior que a permitida. No mínimo geraria desconforto e insatisfação por grande parte da população que se sentiria limitada ao seu direito de ir e vir com seu veículo.
  • O novo transporte é dotado de algumas dificuldades técnicas na sua implementação como, por exemplo, conversões no caminho seguido, tanto dele mesmo, como para os carros que estivessem trafegando por baixo dele. Como isso seria possível? Não existiu clareza e comunicação do projeto quanto a isso.
  • Outra questão um pouco mais óbvia seria sobre que tipo de energia seria utilizada para sua locomoção. Certamente, preocupados com a necessidade de proteção ao meio ambiente, foi colocado que o veículo deveria ser elétrico. Isso de fato é uma premissa muito importante de ser colocada em projetos atuais, contudo, como seria a autonomia desse veículo, já que se trata de veículo de transporte coletivo? Será que ele conseguiria ser recarregado a tempo de atender a necessidade de estar quase que a todo momento em movimento?
  • A nomenclatura dada ao projeto (e ao veículo) também parece ser alvo de controvérsias visto que o “superônibus” trafega por trilhos e mais se parece um “supertrem” elevado. Isso não poderia ser maléfico também à comunicação e marketing do projeto?
  • Por último e não menos especial assim como no Brasil – que acontece com frequência (ressaltando mais uma vez) – a construção e implementação dessa solução foi superfaturada e o montante de dinheiro gasto seria suficiente para pagar outra solução mais simples e eficiente de ser implantada. Segundo algumas fontes, seria possível comprar uma frota de ônibus novos, com zero emissão de poluentes e não seria necessário grandes mudanças de infraestrutura nas vias para o desenvolvimento da solução inovativa.

Apresentadas essas dificuldades e problemas nesse projeto, podemos perceber que falhas no desenvolvimento de produtos inovativos são frequentes e acontecem até em grandes potências como a China. As vezes, temos como comodidade dizer: “Acontece assim por que é no Brasil” ou “Lá fora não seria assim”. Acredito que não trata-se de diferenciação geográfica, mas sim da capacidade de se planejar e ter maturidade na gestão de projetos.

Nem sempre fazer algo que não existe é a melhor solução. Em muitos casos a máxima “Faça o simples” é sim sinônimo de sucesso nos negócios. O tema gestão de projetos está sempre associado a técnicas, ferramentas e habilidades para que seja possível chegar aos objetivos esperados. Contudo, sempre estamos rodeados de riscos, por isso acredito que boas ideias (e, talvez, mais simples), aliadas a essas características podem ajudar a desenvolver projetos que realmente possam ser executados e que sejam efetivamente utilizados pelos seus clientes.

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Esrom Bomfim

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MBA em Gestão de Projetos. Graduado em Engenharia de Computação. Servidor Público Federal na Universidade Federal do Ceará (UFC) e trabalha como Analista de TI na área de Gestão e Governança de TI. Palestrante e professor nas áreas de Gestão e Governança. Experiência de quase 10 anos em projetos públicos e privados. Certificado ITIL


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