Não viva uma relação litigiosa com o seu trabalho

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Olá Leitores, quanto tempo.

Estou feliz por estar de volta e venho contar a razão dessa minha ausência.

Há dois anos eu atuava terceirizada como consultora de processos e gestão além da minha atividade independente de orientação de carreira empresarial. Confesso que fazia tempo que levar ambas atividades não estava sendo fácil. Mas, para mim, quando entro em um novo emprego é como um casamento: não entro para ser infeliz e nem me separar. Meu desejo é ser feliz (se possível por bons longos anos.)

Desde o segundo trimestre deste ano, a situação na empresa se tornou exclusivamente rotineira, previsível, sem nenhum desafio a frente. Quase toda a operação do setor estava parada por conta de um único projeto (claramente fadado ao insucesso desde o seu nascimento). Eu tinha a incumbência de mapear os processos da cadeia de valor e identificar os pontos de melhorias bem como de orientar a forma de implantar essas mudanças à alta gestão. Nessa área de processos e negócios, sempre chega um momento onde precisamos mexer na cultura e na maneira de operacionalizar a empresa para que possamos gerar melhorias sólidas nos processos e não tem como fazer isso se não for através das pessoas, ou seja, investir na mudança de comportamento dos colaboradores. Algo nada fácil de ser realizado.

Foi quando começou o processo bem parecido com o fim de um casamento: eu não estava feliz e a empresa não queria mudar nada. A pessoa responsável pela operação da área não cedia a nenhuma nova ideia e matinha as suas próprias escolhas que afetavam negativamente o projeto e tudo ao redor. Não era possível mais ver satisfação no semblante de ninguém.

Por algumas vezes conversei com a área executiva orientando que a partir daquele momento precisaríamos investir em decisões referentes as pessoas, implantar novas formas de trabalhar, definir novos procedimentos, decidir quem seriam as pessoas adequadas a permanecerem em cargos de liderança, mentorar a competência de liderança e criar uma metodologia para gestão dos projetos, onde antecipei que tudo isso geraria resistência, mas, o resultado final seria válido para todos. Todas as ideias em vão. Nenhuma mudança de impacto era aprovada.

A minha infelicidade começou a ser somatizada pelo meu corpo e vieram meses doentes, que ultrapassaram o preço que eu podia pagar à vida.

Vivi esse litígio por meses. Até descobrir que estava grávida, a primeira gestação. E nesse instante já não era suficiente considerar o que era melhor para mim somente porque agora havia outra vida pela qual eu tinha responsabilidade.

Optei pelo desligamento da empresa porque sabia que passaria a minha gestação inteira doente física e emocionalmente. Não era essa a gravidez que sonhei para mim.

É claro que essa decisão só pode ser tomada porque eu havia iniciado essa reflexão desde quando a minha relação com a empresa começou a dar sinais de desgaste, o que me fez aumentar a margem das minhas economias e diminuir os meus gastos. Portanto, o fator financeiro era um risco previsto e mitigado ao máximo.

Hoje, ao entrar em contato com alguns amigos queridos que fiz por lá, soube que a situação continua a mesma e o sentimento de desânimo e desmotivação só aumenta a cada dia.

Atualmente, estou retomando minhas atividades como colunista, blogueira e criando novas ferramentas e novos serviços de gestão de carreira, que em breve compartilharei com todos.

A grande lição que tirei disto foi que, por me prender ao desejo de continuar, de dar o meu melhor, de cultivar uma esperança ilusória de mudança da situação eu perdi muitas oportunidades na minha atividade independente e comprometi minha saúde.

  • Não valeu a pena ter arrastado essa situação por tanto tempo.
  • Talvez, eu não tivesse ficado doente.
  • Talvez, eu não tivesse perdido clientes por falta de horário para atendimento.
  • Mas, tenho clareza de que essa escolha foi minha, e, por isso, sou responsável por todas essas perdas.
  • Os ganhos que deixei de obter também foram escolhas minhas.

Não me isento da responsabilidade e reafirmo a minha convicção de que não vale a pena mantermos uma relação litigiosa com o trabalho. Só quem sai perdendo somos nós.

Se você também estiver vivendo uma situação parecida, reflita bem sobre tudo que está perdendo ou deixando de ganhar e me responda:

“O preço que a vida está lhe cobrando por esse litígio está caro ou barato?”

Para mim começou barato e terminou muito caro. Não faria novamente essa escolha.

Espero que esse meu relato possa contribuir de alguma maneira para que outros profissionais não passem pelo mesmo.

Sigo em frente com minha atuação como gestora de carreira, ajudando profissionais a evoluírem em suas carreiras. Onde sei que cada gestor que mentoro e posso compartilhar diretamente as minhas vivências, consigo despertar neles uma liderança mais humana, onde os colaboradores são valorizados e respeitados.

Isso me torna profundamente realizada na minha carreira. E, ao final de cada atendimento, eu tenho a certeza de que poderia estar vivendo essa autorrealização há mais tempo, se tivesse encarado a realidade do sistema de frente, sem ilusões e me dispusesse a pôr um fim naquela relação sem futuro.

Pense nisso. Sucesso para nós.

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Carolina Souza

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Especialista em Gestão de Carreira Empresarial, em Gerenciamento de Projetos [PMP] e Engenharia de Requisitos [CPRE-FL] com 14 anos de vivência no mundo corporativo, atua como consultora, palestrante e mentora nas áreas de gestão, liderança, processos operacionais e desempenho de equipes. Colunista de revista e site especializados em TI.


4 Comentários

Alexsander S Bomfim
1

Olá Carolina, boa noite!

Devo parabeniza-la por compartilhar de sua experiência conosco alertando-nos de algo que ocorre corriqueiramente com muitos colegas diariamente, alertando-nos de possíveis prejuízos como um todo.

Desde já agradeço novamente por compartilhar essa sua experiência, um forte abraço e sucesso para todos nós…

Kelly
2

Bom dia,

Confesso que suas experiências atreladas ao seu desenvolvimento principalmente pessoal, impactou meu dia… quiçá meu futuro!

Estou me sentindo fadigada pela relação insegura que vivemos nesse momento pelo mercado.
Mas… A verdade é que não importa as barreiras do mercado, nós que muitas vezes transformamos nossa experiência ácida quando não nos sentimos próprio ou relevantes para determinado cargo, função ou departamento.

Carolina SouzaCarolina Souza Autor do Post
3

Oi Kelly,

Que bom que impactei positivamente!

Você falou um ponto crucial: nós somos os agentes responsáveis por dar a acidez ou a doçura aos nossos dias. Muito antes do mercado influenciar as condições de nossos trabalhos, nós já temos esse poder.

O importante é estarmos atentos para não nos prendermos em lugares ou situações que nos consomem a felicidade.

Abraços e obrigada pelo comentário.

Carolina SouzaCarolina Souza Autor do Post
4

Olá Alexsander,

Fico feliz em poder compartilhar um pouco da minha trajetória com os colegas da área. Aprendi muito ouvindo as histórias de antigos colegas e mentores, por isso, continuo divulgando as situações que vivencio para contribuir e evitar, se possível, que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades.

Obrigada pelo comentário.

Abraços e sucesso.

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