O grande mercado de contabilidade e advocacia para o suporte de informática

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Trabalhei por quase 8 anos com suporte de informática, atendendo aos mais diversos tipos de clientes, profissionais liberais, pequenas e médias empresas e usuários domésticos. Atualmente sou contadora formada e entrei para o negócio da família, um escritório de contabilidade que também presta serviços advocatícios.

Decidi escrever esse texto para o portal Profissionais TI para alertar técnicos de suporte de informática da grande lacuna de bons profissionais com alguns conhecimentos específicos que existe no mercado de advogados e contadores.

Mercado de contadores e advogados para Profissionais de TI

Durante o tempo em que trabalhava com informática, eu mesmo dava o suporte para o escritório da família e para outros clientes do mesmo ramo, mas quando mudei de área essa tarefa ficou inviável.

Para minha surpresa tivemos grande dificuldade de encontrar um(a) profissional que conseguisse atender a essa demanda no escritório com o conhecimento necessário.

A boa notícia é que não precisa ser nenhum grande gênio de TI para conseguir oferecer esse serviço, são apenas alguns conhecimentos simples que apresento agora a vocês.

O que é necessário conhecer

Desde 2011, com o lançamento do sistema do PJe (Processo Judicial Eletrônico), os escritórios de advocacia precisam de profissionais que saibam instalar e testar corretamente certificados digitais (A1 e A3), que consigam fazer configurações de segurança (configurar exceções) no Java e que consigam instalar versões mais antigas do Firefox quando necessário.

No começo era mais complicado, o PJe só funcionava em uma determinada versão do Firefox e do Java, ainda era necessário configurar algumas regras para que tudo funcionasse. Hoje está disponível o navegador próprio do PJe (baseado no firefox), só precisar instalar e configurar o certificado digital que tudo funciona.

A maioria dos problemas estão ligados ao certificado digital ou alguma atualização do Java que causou problemas. Quando o profissional não consegue sozinho identificar o problema, existe um suporte técnico que pode auxiliá-lo.

No ramo de contabilidade a demanda é parecida, com o adicional que os contadores por vezes tem algumas dificuldades com programas da área, que são fáceis de resolver por um técnico em informática ao telefone com o suporte, mas pra eles é uma grande dor de cabeça.

Também existem problemas com o acesso aos sites da prefeitura de cada cidade, receita federal e bancos. Entender um pouco de software de emissão de nota fiscal ajuda mas, se necessário, cada programa oferece suporte e você só vai precisar mesmo do seu conhecimento técnico.

Frequência dos serviços

Posso compartilhar com vocês a minha experiência… São clientes que geralmente exigem do seu conhecimento técnico e que o atendimento seja feito no menor tempo possível, mas estão menos preocupados com os custos do serviço.

O profissional pode cobrar um percentual a mais para atender com urgência a essas demandas e terá por muito tempo um cliente que precisa constantemente dos seus serviços e que estão dispostos a pagar muito bem por isso.

Isso sem contar que o profissional terá as demandas normais de manutenção,, tal como reinstalação de sistemas, remoção de malwares, configuração de rede e impressoras, entre outros serviços comuns que todos já conhecem, além da possibilidade de fechar um contrato de manutenção.

Como encontro esses clientes

Ter um site e anunciar os seus serviços (Google Adwords/Facebook Ads/Jornais) é um bom começo, geralmente é assim que o cliente encontra um(a) profissional quando não consegue indicações. Existe ainda a possibilidade de procurar por mídias e sites específicos frequentados por esses profissionais para anunciar os seus serviços especializados voltados para esse mercado.

O importante é estar pronto para quando a oportunidade aparecer, você não deixar escapar, boa sorte e sucesso a todos os profissionais de informática.

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Denise Costa

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Denise Costa, atualmente é contadora formada e trabalha no escritório de contabilidade chamado Hope Contábil, localizado em Belo Horizonte/MG.

Trabalhou por muitos anos com suporte de TI e hoje apenas acompanha a área, mas procura ajudar os profissionais que estão iniciando ou em dificuldade nesse mercado.

Escreve eventualmente para o Profissionais TI e outros grandes portais de informática.

No site da Hope Contábil indica bons treinamentos, como o curso de SPED fiscal e contábil e dicas práticas para quem deseja trabalhar na área de contabilidade.


6 Comentários

AvatarAlexandre
1

Interessante o texto, trabalhei durante anos na empresa da família, onde prestava suporte em T.I, como vantagem sabia configurar e instalar tudo quanto é aplicação do governo e softwares específicos da empresa. Sai da empresa para seguir carreira na área de software, anos depois o pessoal da empresa comenta comigo que ninguém é capaz de dar um suporte técnico adequado a empresa, foi onde eu disse que normalmente o pessoal tem o costume de formatar e instalar softwares básicos como Office, a maioria nem vai saber o que é um certificado digital, ou o que é Conectividade Social, Sefip, Caged Etc.

AvatarPaulo
2

Percebi essa lacuna, mas um caso específico me fez ter “medo” de advogados.

Uma advogada me contatou a cerca de 3 meses atrás dizendo que não conseguia acessar trt2. Ela digitava diretamente no browser http://www.trt2.jus.br e mesmo retornava servidor não encontrado. Peguei meu celular é joguei trt2 no sabe tudo Google, q retornou trtsp.jus.br.
Perguntei inocentemente para a distinta advogada se por acaso o site pudesse ter mudado de endereço, e fui retrucado com sorriso no canto da boca, ser “impossível” ter mudado e q outros computadores estavam acessando.

Fui nesse outro computador e perguntei para o usuário “como vc acessa o trt2?”. Ela simplesmente joga no Google e clica no primeiro q aparece (trtsp.jus) e diz “tá normal”. Voltei para a advogada e disse q endereço tinha mudado… Ela custou a acreditar e, em resumo, ligou no trt2 para saber se mudou mesmo.

Tem uns q são bons de atender, mas tem esses pro caminho.

AvatarAndressa Aparecida Garcia dos Santos
3

Excelente artigo e observações Denise, parabéns!

Sou advogada, mas sempre me dei muito bem com tecnologia e por curiosidade e o famoso “vamos fuçando aqui, procurando os tutoriais ali até dar certo” sempre acabei me virando muito bem para instalar e utilizar certificados digitais, mas aprendi na marra e na necessidade, tendo em vista que vivenciei a transição para o processo eletrônico e na época ainda como estagiária em um escritório de advocacia de médio porte e com uma consultoria de TI terceirizada era desesperador precisar que o certificado digital funcionasse na máquina, requisitar o suporte técnico e depois de horas e horas de trabalho perdido o técnico nos dizer que não tinha conseguido ou que funcionada em um sistema eletrônico e no outro não, porque embora de fácil instalação é preciso se atentar ainda para uma série de requisitos técnicos exigidos por cada sistema eletrônico, sendo que uma mesma máquina de um advogado que atua em todo o território nacional deve estar apta a utilizar adequadamente todos os sistemas judiciais eletrônicos (E-saj, Projudi, PjE, Tucujuris e por aí vai), a não unificação de um sistema eletrônico, infelizmente um problema tanto para a área de TI como para a Jurídica.

Mas, enfim, resumo da ópera: no desespero acabei me debruçando no estudo do funcionamento dos sistemas eletrônicos que o escritório utilizava e a transformei minha máquina na queridinha dos advogados, porque era a única que “funcionava” em todos os
sistemas eletrônicos e, no fim, quando o problema era certificado digital, java e navegador já nem chamavam mais o TI.

Tive a oportunidade de voltar a esse mesmo escritório recentemente e eles continuam com a mesma empresa de TI, porém a empresa atenta as mudanças do mercado jurídico, cada vez mais exigente nesse quesito, já contam com uma pessoa expert nas “necessidades tecnológicas” do advogado e dos escritórios jurídicos.

AvatarAro
4

Fui técnico de informática durante muitos anos e atualmente trabalho como estagiário numa empresa de contabilidade há mais ou menos 6 meses. Nunca tinha trabalhado nesse setor, mas de cara vi como era dificultoso por conta dos sistemas obsoletos e sem qualquer padronização. Fico imaginando como, nos dias de hoje, ainda existirem sistemas baseados em Java ou, como o Prosoft utilizado na empresa, que ainda utilizam controles ActiveX em sua programação. A falta de evolução destes sistemas acaba atrasando o emprego de técnicas mais apuradas na contabilidade, já que uma integração com os sistemas do governo é mais complicada e cheia de “gambiarras”.

Outra coisa que vejo onde trabalho é a falta de sintonia entre o TI e a Diretoria, onde, por conta de pouco conhecimento dos donos do negócio, acham que quase tudo em informática pode se resolver com aquele “jeitinho”, sem qualquer preocupação com normas, planejamentos e projetos. Minha intenção é sair da empresa, me especializar em gerência de TI e me tornar uma ponte entre o técnico e o setor administrativo da empresa, com a missão de não só manter tudo funcionando, mas manter da melhor forma, da maneira mais simples e mais eficiente para reduzir custos e aumentar a produtividade.

No mais, excelente texto.

AvatarEdilson
5

Legal esse artigo, atualmente sou Analista de TI de um escritório de advocacia e esses problemas com sites de tribunais são um caos mesmo na vida dos advogados, principalmente os PJes.
Aqui trabalhamos ainda com um ERP desenvolvido em Delphi que atende a necessidade aqui do escritório.
Outro ponto interessante são os robôs automatizados que fazem petições e outras coisas que facilitam a vida dos advogados.

AvatarRenato Sacramento
6

Embora, de fato, haja a necessidade do profissional de TI inteirar-se dessas necessidades, faz-se necessário destacar completa falta de padronização dos softwares, além da total ou ineficaz falta de suporte de quem os desenvolve.

Quando se faz curso técnico em manutenção de computadores e redes, pensa-se na configuração e manutenção da ferramenta, do meio. Isso significa que o suporte técnico precisa entregar e manter hardware e software (windows, office e outros necessários) funcionando corretamente, de forma estável e rápida. Agora, todo esse lixo produzido pelo governo e outros órgãos, tem de ser, primariamente suportados por eles, a não ser que a máquina em questão tenha problemas que inviabilizem a instalação, ou o uso.

O que vejo é uma infinidade de clientes despejando sobre o profissional, uma responsabilidade que não é primariamente dele, uma vez que é meio lógico que, quem desenvolve e fornece o software, é o primeiro a ser responsável pelas soluções. E isso não entra na cabeça de certos clientes. Não adianta. Pra eles, qualquer profissional da área de TI tem que ser desenvolvedor, suporte, instalador de câmeras, capaz de dar manutenção em hardware e redes e ainda por cima fazer um “leitão a pururuca de lamber os beiços”. Tudo isso economizando o máximo de dinheiro, tendo o máximo de benefícios.

O profissional, a medida que adquire experiência, começa a perceber em que batalhas deve atuar e em quais ele vai render melhor, trazendo benefícios para o cliente a ser atendido e para si. É necessário lembrar que cada serviço prestado, requer GARANTIA, o que muitas vezes envolve retorno ao local. Será que este profissional estará preparado para estas demandas e responsabilidades pós atendimento? Pra mim, quem quer fazer tudo, acaba sendo como lojas de departamento e Hipermercados, pois vendem de tudo, mas não são especializados em nada, gerando dor cabeça pra todos, no final.

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