Caso Cambridge Analytica: Será que o Facebook pode desaparecer?

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Nesses últimos dias todos nós vimos através da mídia a crise pela qual o Facebook está passando e como a empresa vem perdendo o que tem de mais importante, a reputação da marca.

Em poucos dias a companhia sofreu uma depreciação de mais de 330 bilhões de reais em valor de mercado e atualmente parece estar em um buraco sem fim.

A empresa terá uma difícil missão de reparar a sua “quebra de confiança com usuários, anunciantes, legisladores e investidores.

Mas será que o Facebook, em meio à todos esses acontecimentos, têm o risco de desaparecer assim como outras redes sociais?

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O que aconteceu?

No centro do escândalo está o caso da Cambridge Analytica, que está sendo investigada por usar dados pessoais de milhões de usuários sem o consentimento para influenciar o poder de escolha nas eleições americanas, favorecendo assim o candidato Donald Trump, e também na votação do plebiscito que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia.

Esses dados teriam sido coletados em 2014, com um aplicativo chamado thisisyourdigitallife (essa é sua vida digital, em português), que pagou a 270 mil usuários pequenas quantias para que eles fizessem um teste de personalidade se concordassem em ter seus dados coletados para uso acadêmico. O problema é que, até 2015, ao permitir isso, os utilizadores também garantiam que os apps tivessem acesso às informações de todos os seus contatos. Foi assim que 270 mil pessoas, que responderam o quiz, deram origem a um banco de dados com mais de 50 milhões de indivíduos.

Porém, nem todos esses escândalos estão relacionados com o da Cambridge Analytica, a cada dia que passa novas informações de práticas duvidosas da rede social aparecem. Ela vem coletando ligações de telefones celulares com o app instalado, SMS e vídeos privados não publicados na rede.

A atual reputação da empresa fez com que anunciantes da rede e grandes páginas a abandonassem, como foi o caso da Tesla Motors, SpaceX e Mozilla, fenômeno que poderá criar um efeito manada com outros players no mercado.

A notícia de que os dados dos usuários ainda estão circulando, porém, deve ser uma pedra no sapato da companhia por um bom tempo, com a possibilidade de novos vazamentos e uso malicioso dos dados tornando tudo ainda pior.

O que poderá acontecer?

Ainda é cedo para dizer o que poderá acontecer, mas as projeções não são nada animadoras… elas preveem a morte da rede social. Brian Wieser, analista da consultoria Pivotal Research, não vê um panorama positivo para o Facebook dado os escândalos recentes.

“Para 2018, eu previa um preço de US$ 152 (para ações do Facebook), mas isso foi antes dos eventos da semana (passada)”, disse o especialista à BBC.

A empresa está sendo investigada pela Federal Trades Comission (FTC), órgão americano que pode aplicar uma multa de até 2 Trilhões de dólares, isso mesmo, você não leu errado. A multa só será aplicada se for comprovado que o Facebook violou um acordo de 2011 em que prometia guardar os dados dos usuários. O decreto previa multa de até US$ 40 mil por violação, ou seja, por cada usuário afetado.

Há também um forte movimento de diversas ações coletivas na justiça americana pedindo reparação de danos não especificados e também possíveis danos punitivos à organização podendo ter que arcar com indenizações bilionárias aos usuários que se sentirem afetados.

A quebra de confiança da organização com seus usuários poderá causar significativas perdas no faturamento. Desde de que o escândalo foi revelado a rede sofreu um hating de usuários cancelando suas contas e incentivando que outros usuários através da hashtag #DeleteFacebook, onde ficou no trending topics mundial por muito tempo no twitter. 

Quais mudanças devem ocorrer na rede social?

Mark Zuckerberg prometeu que serão feitas diversas mudanças com relação à privacidade de seus usuários na rede social. Entre as principais, estão:

  • Serão feitas auditorias nos aplicativos suspeitos de uso irregular de dados
  • Aplicação de restrições dos dados usados por aplicativos e;
  • Possibilidade dos usuários apagarem seus dados de forma permanente.

Essas mudanças anunciadas pelo Facebook são tentativas de apagar o incêndio causado pelo escândalo e muitos acreditam que não são nem de longe suficientes e não irão resolver o problema completamente. Ainda não sabemos quantos outros apps estariam descumprindo as regras do Facebook e casos como o da Cambridge podem se repetir mesmo com as mudanças anunciadas.

Embora o grande medo da rede social seja a perda de usuários, isso não deve ocorrer. É psicologicamente difícil os usuários abandonarem o Facebook, uma rede social que se tornou tão enraizada em todo mundo, principalmente por não ter um substituto claro.

Tendo o Facebook um modelo de negócios baseados em dados e no impulsionamento de produtos (e agora políticos) é difícil acreditar que suas mudanças com relação à privacidade de dados não serão tão profundas, mas espera-se que empresa tenha mais cuidado com o armazenamento e manipulação dos dados de seus usuários.

Mas e aí? A rede irá mesmo morrer?

Ainda é muito cedo pra dizer. Novas denúncias de violação de privacidade estão pipocando quase que diariamente e não sabemos quando isso irá chegar ao fim. O grande movimento que fizeram contra a rede pedindo para que usuários deletassem suas contas não surtiram efeito e quase não foram sentidos pela empresa, e as empresas que abandonaram a rede não foram seguidas por outras organizações.

Mas o que está longe do fim é a possibilidade de ser aplicada uma multa de até 2 trilhões de dólares à companhia,  o que pode decretar o fim das operações da rede social. É difícil dizer quanto tempo a investigação da FTC sobre o Facebook pode demorar, no entanto, quando terminar, devemos ter uma ideia mais clara da responsabilidade do Facebook pelo incidente com o Cambridge Analytica e se foi o único desse tipo.

Se irá acabar ou não só saberemos no futuro. Mas em meio a todo esse maremoto a empresa terá uma difícil missão de não deixar essa enorme embarcação afundar.

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Victor Hugo Formiga Martins

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Victor Martins é graduado em Sistemas da Informação pela Unieuro e atualmente cursa o MBA de Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação pela Fundação Getúlio Vargas(FGV) além disso possui curso técnico em redes de computadores pelo IESB. É um estudante em constante movimento e acredita que o compartilhamento de informações poderá impactar a vida de muitas pessoas.


1 Comentários

Fernanda Couto
1

Enquanto não houve um substituto melhor dificilmente o Facebook vai acabar, nenhum império se manteve para sempre, mas não me parece que será por causa desse gravíssimo incidente, pois praticamente todas as empresas que trabalham com dados respondem direta ou indiretamente processos por violação de dados e nenhuma faliu.

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