Gerente de Projetos ou Gerente de Vaidades?

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Durante todos os dias recebo “milhões” de propostas sobre cursos de gestão de projetos, já realizei alguns através do EAD (ensino a distância) e presenciais, mas no dia a dia ao me deparar com a prática observo que por mais que existam treinamentos e cursos, muitas das pessoas certificadas acabam entregando os resultados sem avaliar corretamente os riscos envolvidos no projeto devido à sua vaidade de saber mais que os outros, o que em alguns casos acaba por gerar problemas para outras áreas.

É impressionante como algumas pessoas se envaidecem pela função ou cargo que atua e esquecem que o trabalho de GP é ser um maestro e não um gerador de problemas, que para realizar as entregas nos prazos estabelecidos a pessoa tem que ter humildade, saber escutar e ter mais do que somente à técnica ou metodologia de projetos.

O GP deve aprimorar seu lado interpessoal tanto quanto as habilidades técnicas necessárias para poderem gerir um projeto, pois cabe a ele envolver todos os membros da equipe. Sem o apoio das pessoas os projetos falham. Se observar a literatura sobre o assunto a grande maioria dos problemas está relacionado à comunicação, ou seja, ouvir e comunicar, comunicar e ouvir.

Um líder deve instigar os envolvidos e saber tirar o melhor de cada membro da equipe, não pode jamais ficar envaidecido pela sua função, ele deve colher e avaliar as diversas variáveis internas e externas existentes sobre seu projeto em conjunto com sua equipe para tentar amenizar possíveis riscos. O trabalho em equipe serve para gerar um aprendizado coletivo onde a limitação é visão de um e superada com o apoio das percepções dos integrantes, onde o impossível se torna possível.

Um maestro não dita somente regras, ele ocupa a posição de líder e têm como obrigação ajudar, apoiar, aprender, ensinar e encontrar alternativas com sua equipe a se superarem e realizar as entregas conforme o ESCOPO. As entregas do ESCOPO são sua obrigação, mas para que elas sejam realizadas conforme a tríade (escopo, tempo e custo) o GP deve ocupar o mesmo degrau dos seus aliados e não estar em um pedestal acima.

Afinal o GP jamais deve esquecer que o insucesso do projeto significa o fracasso somente dele, pois ele é o Líder, mas o sucesso do projeto representa o “Sucesso da Equipe”.

E você, o que vem encontrando no seu dia a dia, Gerente de Projetos ou Gerente de Vaidades?

Obrigado aos que chegaram até o final deste texto.

Deixe seu comentário! Aceito recomendações para continuar o debate em textos futuros.

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Fernando C. G. D. Guerra

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Mestre em Administração Profissional pela Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais (FEAD), Especialista em Gestão Estratégica da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), MBA em Gestão de Projetos e Graduado em Administração de Sistema de Informação pelo Centro Universitário UNA (UNA).


8 Comentários

Eduardo Popovici
1

A liderança é um desafio novo para muitos gestores, já que o modelo do chefe de departamento, ainda é maioria no mercado brasileiro. Não posso negar, que hoje a luta é tão ferrenha e desigual para ocupar cargos de responsabilidade, altos salários e certificações que gestores e gerentes acabam esquecendo da vida pessoal e do lado humano da coisa toda. Muitos se esquecem que o projeto em si é feito por seres humanos e não por máquinas.

O equilíbrio emocional e o autoquestinamento devem estar nas entranhas do indivíduo de tal forma que a diferença entre líder e chefe não fique apenas em um conceito técnico. Isso é algo que nenhum curso ou treinamento pode passar, pois só se aprende com a vitória e o fracasso, de uma visão ampla do negócio e não apenas da conclusão de um determinado ciclo.

Vivian Weigert
4

Fernando,

Minha experiencia me permite acrescentar mais algumas variáveis ao seu comentário…

Óbviamente as empresas buscam ter pessoas qualificadas para conduzir seus projetos, no entanto se respaldam apenas no extenso rol de títulos que os recrutadores atualmente utilizam como referencia na esperança de estar recrutando as pessoas certas. Isso ocorre tanto do lado do cliente, como das empresas prestadoras de serviço.

Porém, arrisco dizer que o cenário é um pouco mais complexo, agravado pela falta de experiencia / habilidade das lideranças.

Não se pode generalizar, mas muitos projetos se iniciam com base em premissas que não são válidas e a constatação disso se dá em média após os 2 primeiros meses de projeto.

Associa-se a isso uma taxa expressiva de ‘turn over’ na equipe de consultoria pois nem todos os seus componentes possuem a experiencia necessária para realizar suas atividades, principalmente nos prazos de 9 meses – ou menos – internacionalmente praticados.

Do lado do cliente, nem sempre os usuários mais experientes são destacados para atuar nos projetos, pois a empresa não pode prescendir deles sob pena de prejuízo a operação. Nestas circunstancias, além da habitual indisponibilidade dos colaboradores que podem tomar decisoes, é natural que as pessoas inexperientes recrutadas busquem informaçoes para trazer ao projeto, o que promove atrasos de várias ordens, além de alguns riscos que podem ser importantes.

Outro fator agravante Global Templates, principalmente os conduzidos por consultorias internacionais que não tem representantes em todos os países e portanto desconhecem o seu ‘modus operandis’. Estabelecem um prazo padrão para um rollout e assumem como possível.

É Impressionante a quantidade de GPs que não tem coragem de dizer ao seu chefe/cliente que o prazo de implementação do sistema pode variar em função das especificidades fiscais, financeiras e dos processos de vendas do seu país. Sem falar que existem operaçoes dentro de uma empresa que ocorrem em alguns países e em outros não.

É perfeitamente compreensivel essa mobilização global das empresas no sentido de se padronizar informaçoes e processos, mas pessoas conscientes munidas de fatos e dados deveriam colocar os pés no chão e efetuar análises plausíveis.

Além disso, quando há um erro muito grave de avaliação, quer seja do lado do cliente, ou da empresa prestadora de serviços..ninguém quer ser o primeiro a ‘assumir o equívoco’.

Então se inicia um longo processo de auto-defesa. O que antes deveria ser uma equipe de colaboradores clientes e prestadores de serviços trabalhando juntos com um mesmo propósito, se torna uma arena de pessoas se defendendo umas das outras em prol de seus interesses.

Complicado ter um bom desempenho, apesar de todas as certificaçoes e cursos de graduação disponíveis no mercado, diante de todos esses fatores e mais uma série de outros que permeiam o terreno da política.

Guerra Fernando C. G. D.
6

Obrigado a todos pela contribuição!!!

– Eduardo, concordo, indiferente do nível social a humildade deve estar sempre presente, afinal, estamos aprendendo com tudo e todos a todo o momento.

– Ricardo, Danilo e Gisele, obrigado a vcs!!

– Vivian, grato pela contribuição, adorei seus comentários e sua abordagem sobre as questões políticas, culturais e sociais que sempre estão envolvidas, mas que muitos as ignoram. Venho percebido nas empresas as mesmas situações.

Rafael AmaralRafael Amaral
7

Prezado Guerra,

tenho visto muitas boas matérias (como esta) no PTI sobre Gestão. Certamente, esta é a realidade que vivemos. A cultura das pessoas ainda é baseada em arrogância, acham que liderar é gritar e dar ordens aos subordinados. Sou um analista iniciante na área e em alguns casos, sou “obrigado” a ser GP, mas, observando o comportamento de algumas pessoas, tenho aprendido muito sobre o que verdadeiramente não fazer, ou seja, atitudes que pessoas cometem e me vejo no lugar delas imaginando que deveria fazer ao contrário. Outro ponto é o investimento, ou melhor, a falta dele, no qual somos cobrados a apresentar resultados sem cooperação do patrocinador e de infraestrutura adequada.
Em minha pequena experiência, conheci uma minoria de gestores que realmente investem em conhecimento e em pessoas, sempre preocupados com o bem estar da equipe e do processo como um todo.

Abç!!!

Guerra Fernando C. G. D.
8

Rafael, obrigado pela contribuição, de fato ocorre com muita frequencia nas empresas, algumas pessoas ainda estão aprendendo a ser lideres o que é diferente de ser chefe.

Grato!!

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