Mindset Digital – Uma proposta prática de mudança

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Desde que o mundo percebeu a necessidade de evoluir rapidamente em diversas áreas de negócio, impulsionados por novos e revolucionários modelos, como Uber, iFood, Spotify, Netflix (não estou seguindo aqui uma ordem de fundação dessas empresas) alguns se posicionaram fortemente contra. Outros, que viviam em uma zona de ordem, de conforto, se sentiram desconfortáveis com as novidades emergentes.

Este desconforto deve movê-los da Ordem em direção ao Caos, conceitos criados e explicados por Jordan B. Peterson (2018) em seu livro “12 Regras para a vida: Um antídoto para o caos”. Caos este, que é o domínio da ignorância, local inexplorado, mal sabemos sobre ele, dizia Peterson (2018). Muitos o temem, muitos permanecem imóveis diante da existência desta condição caótica. A maioria não quer sair da Ordem, local onde temos tudo definido, território explorado e, portanto, conhecido. O lugar da constância, da certeza de que nada pode nos abalar. Isto pode se tornar um forte entorpecente. 

Segundo observa Leandro Ruschel (2018), com base nas ideias de Peterson, a Ordem é criada a partir do Caos. Somente quando nos movemos do ponto “A” para o “B”, podemos provocar qualquer transformação. Digamos que “A” é o domínio da ordem e “B” o domínio caótico. Quem se atreveria a sair deliberadamente de um para o outro? 

É esta a questão deste texto. Muitos falam sobre mindset e que a mudança deste é a única força motriz que pode provocar este movimento. O combustível das transformações é a injeção de um mindset adequado para rodar em um motor com metodologias ágeis como propulsão. Carol S. Dweck publicou em 2006 a primeira edição de seu livro “Mindset” e nos alertou para pessoas que se agrupam em dois tipos: Mindset Fixo e Mindset de Crescimento. Disse também, que estes podem ser mudados se trabalhados apropriadamente. 

Apesar das ideias de Peterson (2018) e Dweck (2006) não estarem claramente conectadas, é possível estabelecer uma conexão ao entender que os indivíduos de Mindset Fixo querem permanecer na Ordem, enquanto que os pertencentes ao grupo de Mindset de Crescimento, tendem a sair do ponto “A” para “B” decididamente.

E o que os leva a fazer tal movimento de forma não imposta? 

Será estabelecido um raciocínio próprio e nascente neste texto, onde as ideias de Peterson (2018) em maioria, associadas a alguns conceitos de Dweck (2006) foram base para o desenvolvimento deste. Veja a Figura 1 abaixo:

Figura 1 - O movimento evolutivo

Figura 1 – O movimento evolutivo

A figura acima demonstra que Caos e Ordem são indissolúveis. Um não existe sem o outro. Mas, o indivíduo precisa se mover, ou vai permanecer eternamente dentro de um dos domínios, deixando de evoluir. Na posição do círculo maior de Ordem, o indivíduo deve se mover inevitavelmente para o Caos. Depois encontrará uma nova posição ordenada dentro daquele domínio inexplorado. Na posição do círculo maior de Caos, tendo causada a desejada Ordem, o indivíduo deve consumar sua evolução, voltando ao círculo maior da Ordem, mas não pode permanecer. Deve provocar o Caos em seu mundo organizado, para que seu ciclo evolutivo não seja interrompido. 

Isto posto, é preciso perguntar: O que move um indivíduo a mudar seu mindset? A desejar não se acomodar? A querer o Caos evolutivo, causa mater da Ordem principal? O que faz alguém se mover, quando tudo parece bom e tranquilo? 

A seguir, proponho alguns passos que podem favorecer essa mudança de mindset. 

A primeira etapa é fazer com que o indivíduo veja valor em se mover, que veja valor em estabelecer uma nova situação para sua vida dentro da organização e consequentemente toda a sua carreira profissional. A Figura 2 abaixo pretende um ponto de vista mais simples, de alto nível:

Figura 2 - Decisão de movimento

Figura 2 – Decisão de movimento

O indivíduo precisa se deslocar do ponto “A” para o ponto “B” e só vai fazê-lo caso veja valor em “B”. Caso saiba seu objetivo de forma clara e a organização o insira como parte integrante vital para que toda a organização mesma, saia de “A” para “B” em uma nova situação, a de transformada. 

A seguir, invariavelmente, é preciso provocar um desconforto em “A” para que os indivíduos presentes naquela situação inerte se movam. Isto significa que o valor de “B” ficou claro. Os problemas de “A” serão corrigidos em “B”, a vida profissional será mais recompensadora em “B”. Para tanto, em “A”, é preciso que o indivíduo se perceba parte de um domínio ultrapassado, onde sua carreira poderá não se lançar ao sucesso, onde o trabalho dele já não agrega para a organização, onde os outros já estão se movendo, enquanto ele assiste e espera que alguém o “carregue” para “B”. Indivíduo este de Mindset Fixo, apaixonado unicamente pela Ordem. Talvez não seja o que a organização espera de alguém, nestes novos tempos. 

Como terceira etapa, é necessário que fique claro, possivelmente através da criação de objetivos, como os do OKR por exemplo, que a tendência ao se mover é sempre evoluir. Não se pode esperar evolução de um dia para o outro, portanto, a Figura 3 abaixo exemplifica a ideia de movimento ao longo do tempo: 

Figura 3 - Evolução x Tempo

Figura 3 – Evolução x Tempo

A curva acima trata não apenas da evolução da organização através da evolução de seus profissionais, mas também trata da carreira do indivíduo que conseguiu ver o valor em se mover, que entendeu que sua carreira também depende deste movimento. A saída da Ordem para o Caos, como já dito, é mãe (causa mater) de toda nova Ordem.

Portanto, proponho utilizarmos uma visão matemática, para que seja possível perceber a razão principal de ter tantas vezes sido utilizada a palavra “indivíduo” neste texto:

M = ( G + E + C) * T

A equação acima corresponde à definição da mudança de M(Mindset), que exige a existência de G(Gestão), E(engajamento), C(Cultura) e finalmente multiplica-se por T(Tempo).

A boa Gestão vem de líderes preparados, conhecedores das ferramentas motivacionais e reforçam com clareza os objetivos e as necessidades de uma transformação.

A Cultura é fator extremamente importante: “Um sistema cultural compartilhado estabiliza a interação humana, mas também é um sistema de valor – uma hierarquia de valor, em que algumas coisas tem prioridade e importância e outras não. Na ausência de um sistema assim, as pessoas simplesmente não conseguem agir. De fato, não conseguem nem perceber, porque tanto a ação quanto a percepção exigem um objetivo, e um objetivo válido é, por necessidade, algo valorizado. Nós experimentamos muito das nossas emoções positivas em relação aos objetivos. Não seremos felizes, tecnicamente falando, a menos que percebamos que estamos progredindo – e a própria ideia de progresso sugere um valor.” (Peterson, 2018)

O Tempo é necessário, progressivo e precisa ser respeitado. Todas as variáveis somadas multiplicadas a ele, significam que há necessidade de uma maturação que não nasce da noite para o dia e vice-versa. 

O Engajamento ficou por último, devido à razão de pertencer ao indivíduo. A vontade de se engajar parte do crítico interior de cada um. Este é o limite qual um gestor pode atingir. É a linha que não se cruza. Não por vontade, mas por muros erguidos pelo próprio afetado. O pertencente a um confortável e desejado Mindset Fixo, que não se importa com o Caos, deseja a ordem plena, literalmente não vai contribuir com a organização.

Aquele que sente a necessidade interior de não se conformar, é o valoroso e precioso achado.

Referências:

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Raphael Siqueira

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Profissional de quase uma década na área de Qualidade de Software. Formado em Tecnologia da Informação, Pós-graduado em Engenharia de Software. Certificação CTFL pelo BSTBQ. Certificado LACP - Lean Agile Coach Professional pela Uniagil, dentre outras certificações.


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