Como ser subordinado a alguém que não se admira!?

No texto de hoje quero falar que não só de flores foi traçada minha trajetória profissional. Atuei em algumas empresas onde não fui subordinada a um líder, mas sim a um chefe.

Chefe na minha visão é alguém que simplesmente ocupa um cargo mais elevado que o meu e tem a função de distribuir ordens. Essa pessoa não tem competências suficientes que estimule a motivação de seus subordinados. Eles simplesmente mandam e o empregado tem que obedecer.

Imagem via Shutterstock

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Em uma das minhas sessões de coaching identificamos que possuo extrema dificuldade em obedecer alguém pelo simples fato dele estar em um cargo acima do meu. Consigo ser subordinada – com grande entusiasmo – a líderes, pessoas que eu admire de verdade, seja por suas competências técnicas, seja por suas habilidades comportamentais. E isso não quer dizer que eles sejam pessoas perfeitas, porque sabemos que isso não existe, porém, são pessoas que mesmo com seus defeitos consigo admirar e ver que, mesmo errando, elas buscam acertar com humildade e sabedoria.

Hoje em dia aprendi que são raros os verdadeiros líderes. Então, ficar na zona de conforto esperando encontrar um líder que admire não é opção, pois, dificilmente conseguirá um emprego rápido com essa característica.

Por isso, aprenda a mudar seu jeito de lidar com a situação mais comum no mercado de trabalho: para cada 100 chefes, encontramos 1 líder! Acredite!

Podemos ter chefes comuns, que mesmo não tendo o talento da liderança, são humildes, sabem delegar, pedir, conversar e tentam (a sua maneira) fazer uma boa gestão. Com esses é mais simples e fácil conviver, basta saber quando falar e, principalmente, quando calar, pois, sua opinião não está sendo pedida e (muito menos) aceita. A dificuldade nesse caso é conseguir manter-se motivado perante tanta inércia! Mas, se optar por continuar nesse emprego, precisará descobrir algo que o motive (só que isso é assunto para outro post…rs).

Outra situação (bem) mais complicada é quando os chefes são arrogantes, prepotentes e desconhecem a palavra: humildade! Para esta situação é muito mais complicado indicar uma atitude ideal, porque ninguém gosta de ser humilhado e tratado como uma criancinha de 3 anos de idade que precisa de alguém dizendo o que e como deve ser feito tudo (o tempo todo)!

Pois bem, como já passei por todas as situações relatadas, para o último caso posso dizer que o melhor a fazer é evitar o confronto, caso contrário, você só conseguirá colher muito aborrecimento, desconforto e fragilizar sua saúde. Evite criar muita proximidade, mantenha um relacionamento profissional, objetivo e direto. Quando se cria intimidade automaticamente oferecemos ao outro o poder de liberdade de expressão sobre seus pensamentos, e nem sempre isso é utilizado de forma sadia.

Resumindo, analise o perfil do seu chefe e aplique as dicas respectivas, não tente criar vínculo de amizade e intimidade, pois, só quem sairá perdendo é você! E lembre-se: nunca revide a falta de respeito e prepotência, trate com educação e respeito sempre.

Dica de leitura: “Não tenha medo de gerenciar seu chefe”, dá uma olhadinha no trecho liberado:

http://www.esextante.com.br/publique/media/NaoTenhaMedoGerenciarChefe_Trecho.pdf

Carolina Souza

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Psicóloga (CRP 06/203773) e Especialista em Gestão de Projetos (PMP) atua há décadas no mundo empresarial. Certificada CPRE, SFC, ITIL com profunda experiência nas áreas de Engenharia de Requisitos, Análise de Processos e Desenvolvimento de Equipes de Alta Performance. Palestrante. Colunista no PTI desde 2013 sempre colaborando com artigos focados no desenvolvimento profissional dos leitores e gerentes de projetos em início de carreira.

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6 Comentários

Wilson
1

Ótimo texto!
Concordo com tudo que disse.
O mercado com certeza é extremamente carente de líderes e venho percebendo também que existe uma pressão por resultados em todos os sentidos.
Esta pressão em cima dos chefes que reflete diretamente no subordinados está causando um desastre na profissão de TI pelo fato de eu estar testemunhando alguns abandonos da área de TI. As opressões chegam a tanto que colegas e amigos decidiram ir para outras áreas.
Eu mesmo quase abandonei a carreira depois de uma relação pouco amistosa com eu último chefe. Ele agiu de tal forma que cabia inclusive um processo por assédio moral, descumprimento de direitos garantidos por lei, condições de trabalho pra lá de inadequadas e outros.
Mas tive serenidade para avaliar que não era eu que deveria abandonar a área, e sim ele, o chefe de TI. De uma forma ou de outra, se ele não conseguir se adequar e ser um pouco mais líder, nenhum colaborador permanecerá mais que 1 mês na empresa.
Com isso ele fica fora do mercado. E tenho informações que ele tenta ter um desenvolvedor desde de 2010 e ainda não conseguiu. Mas se não mudar, é seguro dizer que não conseguirá.
Bom, de alguma maneira temos que nos dar condições de poder mudar de emprego. De hoje em diante controlo minhas contas e gastos e tenho sempre um dinheiro para aquilo que chamo de virada profissional.
Tudo isso porque percebi que não suporto mais trabalhar num lugar onde me sinto subjugado e sob pressão de todos os tipos. Por isso hoje me dou a liberdade de buscar, quando eu quiser, um lugar que me dê motivação, valor e principalmente a oportunidade de trabalhar para um líder!
Parabéns pelo texto!

João Almeida
2

Olá Carolina, vou comentar abaixo pela minha experiencia voltado a visão de gestor.
Na minha curta experiencia já gerenciei projetos em que atuei como chefe e como líder e em alguns casos as duas características em um mesmo projeto, pois devemos analisar também o lado do subordinado, em contrapartida ao que cita o texto hoje ainda há muita dificuldade em encontrar profissionais na areá de TI com o minimo de qualificação e principalmente comprometimento e responsabilidade. Como gestor todos os dias por falta de opção somos obrigados a lidar com profissionais que não cumprem os horários e as regras da empresa, teimosos e acomodados em relação a lidar com novas tecnologias, que não interagem com os demais e não dão retornos necessários, mal organizados e que em alguns casos possuem o conhecimento técnico, mas insistem em fazem “códigos” que sequer são capazes de entender e lidar.
Para minimizar esses problemas é importante que o líder tenha conhecimento da areá em que esta atuando e esteja sempre próximo dos seus subordinados captando as dificuldades e pontos fortes de cada profissional, senão ficara impossível cumprir as metas e prazos estipulados.
Abraço .

Carolina Souza, PMP, CPRE-FL, ITIL
3

Olá Wilson,
Muito obrigada pelo retorno e por compartilhar conosco sua experiência. De fato, devemos nos preocupar em manter as contas em dia, pois, caso surja uma situação difícil no trabalho, e se torne insustentável, termos a opção de trocar. A nossa paz não tem preço =)

Carolina Souza, PMP, CPRE-FL, ITIL
4

Olá João,
De fato, encontrar profissionais comprometidos não é fácil. Entretanto, como líder, no meu ponto de vista, ao nos depararmos com colaboradores com um comportamento difícil – como o relatado por você – acredito que precisamos trabalhar para desenvolver este profissional, conversando, orientando, mostrando o resultado negativo que este comportamento gera não apenas para o projeto mais também para o próprio profissional. Caso não haja mudança, o profissional não evolua, infelizmente, o afastamento dele do projeto será a última opção, tendo em vista que manter alguém assim na equipe compromete o bem estar de todos os envolvidos.
E nesse cenário, os conhecimentos técnicos não serão suficientes, precisaremos colocar em prática nossas habilidades e competências de liderança, coaching e motivação =)
Obrigada por compartilhar sua experiência.

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